O turismo industrial está a afirmar-se como uma nova alavanca de crescimento económico e de valorização da imagem das empresas e das cidades na China. Além de gerar novas receitas, esta tendência tem contribuído para mudar a perceção sobre antigas zonas industriais, promovendo a sustentabilidade, a inovação tecnológica e o património cultural.
Segundo a agência Xinhua, várias cidades chinesas estão a apostar na abertura das suas fábricas ao público, numa estratégia que procura combater a imagem tradicional associada à poluição e ao ambiente industrial pesado. Em muitos casos, as unidades de produção transformaram-se em espaços de visita, lazer e aprendizagem.
Um dos exemplos é a cidade de Xiangtan, na província de Hunan, onde a siderúrgica Xiangtan Iron and Steel Group, fundada em 1958, passou a receber visitantes nas suas instalações. A empresa investiu mais de 6 mil milhões de yuans (cerca de 884 milhões de dólares) em iniciativas de sustentabilidade nos últimos cinco anos, criando espaços verdes e instalações artísticas produzidas a partir de sucata de aço.
Além da vertente ambiental, o turismo industrial está também a ser utilizado para preservar e divulgar o património cultural. É o caso da Longpai Food, produtora de molho de soja com mais de 280 anos de história, que recebe atualmente cerca de 20 mil visitantes por ano. Durante as visitas, os turistas conhecem o processo de produção e a história da marca, numa experiência que combina tradição, ciência e educação.
A modernização da indústria é outro dos atrativos. No centro de controlo inteligente da Xiangtan Iron and Steel, sistemas de inteligência artificial assumem parte da gestão da produção, reduzindo o trabalho manual e mostrando ao público a transformação tecnológica do setor.
De acordo com Zhao Yi, vice-diretor do departamento municipal de Cultura, Turismo, Rádio, Televisão e Desporto de Xiangtan, a abertura das fábricas ao público está a contribuir para desfazer antigos estereótipos sobre as bases industriais e a criar novas oportunidades de valorização para setores tradicionais.
As perspetivas para este segmento continuam a ser favoráveis. Instituições de investigação do setor estimam que o mercado do turismo industrial cresça, em média, cerca de 18% ao ano entre 2024 e 2029, ultrapassando os 300 mil milhões de yuans.
Também a indústria do retalho está a integrar esta tendência. Em Jinjiang, na província de Fujian, a marca de artigos desportivos Anta transformou o conceito tradicional de outlet de fábrica, combinando compras com experiências interativas como escalada, esqui indoor e basquetebol.
Para apoiar este desenvolvimento, as autoridades locais criaram duas linhas gratuitas de elétricos históricos que ligam fábricas e zonas comerciais. Em 2025, as 11 fábricas turísticas de Jinjiang receberam 486.800 visitantes e geraram receitas superiores a 20 milhões de yuans.
O crescimento do turismo industrial está também a ser impulsionado por políticas públicas. Em maio, o Governo chinês publicou uma circular dedicada à promoção da cultura industrial, à preservação do património industrial e ao desenvolvimento deste segmento turístico. O tema foi igualmente incluído no esboço do 15.º Plano Quinquenal da China (2026-2030), que prevê o desenvolvimento coordenado do turismo industrial com outras formas de turismo, como o rural, o de bem-estar e o denominado “turismo vermelho”.














