As vacinas contra a Covid-19 estão na ordem do dia, com avanços e recuos sobre as diversas farmacêuticas. Não menos importantes são os testes Covid-19, que continuam a ser uma ferramenta crucial para controlar a pandemia e a que recorrem milhões de pessoas por dia em todo o mundo.
Embora o desafio em 2020 tenha sido desenvolver e aumentar o fornecimento de testes SARS-CoV2, este ano as autoridades de saúde estão focadas em usar essas ferramentas com mais frequência e de novas maneiras, por forma a ajudar a normalizar o mundo o mais rápido possível. O teste é necessário para detetar o vírus, identificar as variantes e avaliar a imunidade dos indivíduos ao coronavírus.
Mas qual a diferença entre os vários testes? Como detetam a infeção? São fiáveis? Têm desvantagens? 10 respostas úteis, segundo a agência Bloomberg.
- Que tipo de teste SARS-CoV2 existem?
Existem dois tipos. Um serve para diagnosticar infeções ativas, que normalmente procura a presença do vírus através de uma amostra recolhida no nariz, garganta ou boca. O outro, testa a imunidade ao vírus, seja de uma infeção anterior ou de uma vacina. Normalmente, são testes de anticorpos, que procuram evidências, geralmente numa amostra de sangue, de que o sistema imunitário construiu anticorpos para combater o vírus.
- Como é que os testes detetam infeções ativas?
Existem várias formas de obter resultados sobre as infeções, mas o padrão – pelo menos em termos de precisão – é o chamado teste molecular. Estes testes dominaram a discussão pública no ano passado, especialmente quando poucos lugares tinham o suficiente para determinar a extensão da disseminação do vírus. Eles procuram por pedaços de ácidos nucleicos do vírus, ou o seu material genético, numa amostra de secreções. Depois de os cientistas sequenciarem o genoma de um vírus recém-descoberto, eles conseguem desenvolver estes testes altamente específicos em apenas alguns dias, o que foi um grande trunfo no início do surto.
- Quais são as desvantagens dos testes moleculares?
Os testes moleculares geralmente requerem vários componentes, incluindo reagentes químicos, pequenos recipientes de plástico e cotonetes. Um tipo de teste que depende de técnicos de laboratório especializados em realizar um processo complicado, chamado transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase (RT-PCR), que amplifica o material genético do vírus para que possa ser estudado com detalhe. Ora, a falta de componentes, máquinas ou técnicos pode limitar a disponibilidade de testes. Embora alguns testes moleculares possam produzir resultados em 30 minutos ou menos, eles não são considerados totalmente fiáveis. Os cientistas costumam, por isso, usar sistemas mecanizados, como um da Roche Holding AG, que pode levar algumas horas a obter os resultados, mas, em circunstâncias ideais, pode lidar com milhares de testes por dia.
- Podemos confiar nos testes para detetar casos?
Não inteiramente. Dada a logística de recolha de amostras e envio para laboratórios, muitos dos quais sobrecarregados, ainda é comum que as pessoas esperem vários dias pelos resultados. É muito tempo, perante pessoas assintomáticas, por exemplo. Para quebrar a cadeia de transmissão é essencial obter os resultados cedo, para que alguém com teste positivo se possa isolar de outras pessoas e as autoridades de saúde pública possam alertar aqueles que estiveram recentemente em contato com essa pessoa para fazer o teste.
- Existe uma maneira mais simples de diagnosticar?
Sim. Os países estão a adotar cada vez mais ferramentas mais rápidas, mais baratas e mais acessíveis – os testes rápidos de antigénio -, que podem ser realizados em casa. Semelhantes aos testes de gravidez caseiros, que executam uma amostra de líquido sobre uma superfície reativa, o kit inclui um cotonete, uma solução e uma pequena porção de anticorpos semelhantes aos que o sistema imunitário de uma pessoa ativaria para combater a SARS-CoV2. A pessoa recolhe a amostra do nariz ou da garganta, mergulha-a na solução e coloca algumas gotas na bandeja. Se a pessoa estiver infetada, os anticorpos ligar-se-ão às proteínas do vírus que estão presentes na amostra. Isso fará com que uma linha apareça no teste – ou alguma outra indicação, dependendo do teste – significando uma infeção.
- Quão precisos são os testes rápidos de antigénio?
No início da pandemia, os testes rápidos ganharam má reputação, porque as versões lançadas no mercado não eram fiáveis. Ao longo do ano, porém, foram disponibilizadas versões muito mais precisas. Embora provavelmente nunca sejam tão sensíveis quanto os testes moleculares para encontrar evidências de uma infeção, eles compensam pelos rápidos resultados e acessibilidade. Para que estes testes realmente funcionem, as pessoas devem realizá-los regularmente. Se um teste falhar a detetar uma infeção, é altamente improvável que testes repetidos deem o mesmo erro. E muitos especialistas dizem que a fiabilidade melhora depois de experimentarmos algumas vezes.
- E quanto às variantes? Como podemos identificá-las?
Como o vírus sofre constantes mutações, as autoridades de saúde estão atentas a todas as novas variantes que vão surgindo, como as mais infeciosas que foram identificadas pela primeira vez no Reino Unido, África do Sul e Brasil. A melhor maneira de identificar essas variantes e monitorizar sua disseminação é colher amostras de pessoas infetadas e sequenciar o genoma de todo o vírus ou, pelo menos, a proteína do pico que lhe dá a aparência de coroa. Isso, no entanto, pode ser caro e demorado. Para encurtar o tempo, os investigadores usam outras técnicas, como submeter amostras a testes moleculares que foram ligeiramente ajustados para identificar mutações específicas. Isso ajuda a obter uma imagem mais rápida e completa das variantes do vírus numa região, embora seja sempre importante confirmar alguns desses resultados com a sequência genética.
- E quanto aos testes de anticorpos? Como funcionam?
Uma pessoa infetada por um vírus ou vacinada contra ele produz anticorpos específicos, como se fosse uma chave para uma porta específica, para travar e neutralizar as proteínas que formam a maior parte desse vírus em particular. Esses anticorpos podem durar meses – ou até anos em alguns casos. Para fazer testes de anticorpos, os investigadores criam em laboratório – ou compram a um fornecedor – cópias de proteínas que aparecem naturalmente num determinado vírus. Se uma pessoa já teve o vírus ou foi vacinada contra ele, o seu sangue deve conter anticorpos que se fixarão nessas proteínas no teste. Para serem úteis, os testes precisam de ser altamente específicos, por forma a que um resultado positivo não seja desencadeado por anticorpos de formato semelhante – que uma vez combateram, digamos, um coronavírus semelhante, mas diferente, que causa, por exemplo, uma gripe comum.
- Porque é que os testes de anticorpos são importantes?
Para acabar com a pandemia, precisamos de obter a imunidade de grupo. Não está claro quanto tempo dura a proteção contra a reinfeção ou quanto tempo durará a imunidade fornecida pelas vacinas Covid, especialmente com as novas variantes virais. Enquanto os primeiros testes de anticorpos SARS-CoV2 indicavam se alguém tinha alguma imunidade contra o vírus, as versões mais recentes realmente quantificam o nível de anticorpos – e, quando usados regularmente, podem mostrar se os níveis estão a descer. Isto pode ajudar a determinar quem precisa de receber uma vacina de reforço entretanto. Para as pessoas que nunca testaram positivo, mas que suspeitam tê-lo, esses testes fornecem uma maneira de olhar para trás para ver se podem ter alguma proteção – mesmo que não tenham sido vacinadas.
- Quais são as desvantagens?
Os cientistas ainda estão a investigar o nível de anticorpos que é necessário para alguém se proteger contra a futura infeção por SARS-CoV-2 – um fator que pode influenciar na frequência dos reforços das vacinas. Também não está claro o quanto as células T, outra arma do sistema imunitário, podem proteger-nos se os níveis de anticorpos caírem. Mas isso pode começar a mudar, à medida que os testes produzidos para detetar células T contra o coronavírus estão a começar a tornar-se amplamente mais disponíveis.














