Os especialistas são unânimes em afirmar que “tudo indica” que o pico de infeções desta quinta vaga da pandemia em Portugal já terá passado, contudo, não descartam que a nova linhagem da Ómicron, a BA.2, possa mudar essa panorama.
“Fazer previsões é como apostar na lotaria, tudo indica que o pico de casos já foi atingido mas não podemos ter a certeza”, refere à Multinews Manuel Carmo Gomes, epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).
Para o responsável há variáveis que ainda podem alterar o que está previsto, nomeadamente pelo facto de a variante Ómicron ser altamente transmissível e das suas sub-linhagens se poderem tornar também mais infeciosas.
“A BA.2, por exemplo, se acontecer em Portugal o que se está a passar agora na Dinamarca, onde esta linhagem é cada vez mais transmissível e está a causar um aumento de infeções, os números podem voltar a subir”, alterando as previsões, alerta.
O mesmo fator é apontado por Óscar Felgueiras, matemático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). “Esse é sempre um risco. Se observarmos o que acontece nos outros países, a BA.2 ganhou dominância sobretudo na Dinamarca, onde há muitos casos associados”, aponta.
“Não é óbvio a proporção de casos da linhagem BA.1, original, que poderão estar suscetíveis a serem reinfectados com a BA.2, existem alguns relatos disso mas não sabemos a frequência com que acontecem”, aponta.
Nesse sentido, a incógnita faz com que o risco ainda exista. “Há um risco certamente. Se a probabilidade (de reinfeção) for baixa isso terá um impacto limitado”, mas se for alta, o impacto poderá ser mais elevado, sublinha.
No mesmo sentido, Bernardo Gomes, médico especialista em saúde pública, sublinha que Portugal continua com “incidências altíssimas e uma carga hospitalar expressiva”, pelo que importa recordar que “isto ainda não acabou, é precoce pensar que sim”.
“A duração da imunidade da Ómicron está a ser posta em causa” e a capacidade de infeção da linhagem BA.2 “pode ser um risco”, para a evolução da pandemia em Portugal, até porque “estamos atrasados em termos de exposição”, face, por exemplo, à Dinamarca, acrescenta.
Para contrariar este facto, o especialista apela a uma maior “cautela”, apostando em máscaras nos espaços interiores e uma maior ventilação dos espaços”, porque já se provou que o vírus se transmite através de aerossóis”, defende.
Especialistas concordam que pico já passou
O que parece estar certo é o facto de o pico de infeções já ter sido atingido. “O pico, na média a sete dias, terá atingido o valor máximo no dia 25 de janeiro, a nível nacional. Desde então há uma redução de cerca de 6%, mas que tudo indica que fará aplanar os casos”, explica Óscar Felgueiras.
“De acordo com o indicador de avaliação da pandemia do Técnico e da Ordem dos Médicos, em termos de incidência de novos nós já teremos atingido o pico da quinta onda pandémica”, corrobora Filipe Froes, pneumologista e coordenador do Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos.
Também Milton Severo, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), assume a mesma posição. “Já há quatro dias que a incidência média diária a sete dias está a descer, por isso à partida quer dizer que atingimos o pico”, afirma.












