«Tsunami sanitário», «cegueira ideológica», «corda na garganta». As reações dos partidos à Reunião no Infarmed

Depois da reunião do Infarmed, os partidos reagiram à situação pandémica do país, apontando as falhas que consideram estar na origem do agravamento da crise de saúde publica. Saiba o que cada um disse.

PS

O PS defendeu hoje medidas «mais restritivas de confinamento» para responder à pandemia de covid-19, face à subida do número de contágios, e relativizou o atraso na distribuição de computadores nas escolas.

«Não há dúvidas da necessidade de se adotarem medidas mais restritivas de confinamento», depois da subida dos números de infetados com o novo coronavirus e de mortos em Portugal nas últimas semanas, após uma reunião de especialistas e políticos na sede do Infarmed, em Lisboa.

José Luís Carneiro destacou que não há consenso, entre os especialistas, quanto à necessidade de interromper as aulas presenciais nas escolas e defendeu que todos os fatores «têm que ser muito ponderados para garantir o equilíbrio para uma boa decisão» da parte do Governo.

PSD

O PSD considerou hoje que o Governo não pode continuar a responder e a combater a pandemia da covid-19 com as «receitas de 2020», afirmando que a atual situação epidemiológica está descontrolada.

«Portugal vive o pior momento de resposta à pandemia desde que ocorreram os primeiros casos em março de 2020. É fundamental perceberem que não podemos continuar a combater uma pandemia em 2021 com as receitas de 2020», disse o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite.

No final da reunião de especialistas que decorreu durante a manhã no Infarmed, o social-democrata afirmou em declarações aos jornalistas que a situação epidemiológica atual é «verdadeiramente dramática» e que as próximas semanas vão exigir «um esforço gigantesco por parte de todos».

Compreendendo a necessidade de um novo confinamento, Ricardo Baptista Leite sublinhou, no entanto, que este é o resultado de erros que o executivo cometeu no ano passado.

Bloco de Esquerda
O deputado do BE, Moisés Ferreira, referiu esta terça-feira que «a incidência histórica de novos casos nas várias regiões do país, é transversal. Estamos com disseminação comunitária, alta incidência, alta transmissão o que tona a situação insuportável para qualquer serviço de saúde».

«Ter o confinamento urgente é a resposta para reduzir cadeias contagio, infeções diárias e ajudar o SNS. É fundamental que uma medida de confinamento não seja isolada, não pode ser um peso adicional aos trabalhadores e à economia», defendeu à saída da reunião no Infarmed.

No entanto, o responsável defende que «qualquer confinamento que venha a ser planeado, não pode ser único, tem de ter várias medidas associadas, como a proteção do emprego e apoio a setores de atividade». Sobre a requisição civil, segundo o BE, a medida «já devia ter avançado há muito para poder dar uma resposta mais musculada à pandemia».

PCP

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse à saída da reunião no Infarmed que «estamos a lidar com um problema que é preciso voltar a investigar. Todos estamos de acordo que vivemos uma situação agravada, são precisas medidas de emergência, mas evitando que essa emergência seja apenas focada em medidas restritivas, mas também na proteção social», adiantou.

Sobre a abertura das escolas, o responsável considera importante, porque «a escola em si não é um fator de dimensão alargada em relação a qualquer surto», afirma manifestando outras preocupações.  «Este é um momento de emergência, que serve também para encetar medidas do foro social, nomeadamente no que diz respeito aos lares e aos pequenos empresários que estão com a corda na garganta», afirmou.

Para Jerónimo de Sousa, «uma visão restrita de que será com estas medidas apenas que estão a tentar impor, que se resolve tudo é o caminho mais errado», defendeu. «Se todos pensarem que tudo se resolve com o confinamento absoluto é ridículo».

CDS

O líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, considera que a situação do país é «dramática e preocupante», estimando-se que mesmo com o confinamento estaremos pertos dos 14 mil casos diários. «Isto acontece pelo mau planeamento e resposta errática do Governo», adiantou.

«Hoje parece consensual que já atravessamos a terceira vaga e continuamos a cometer a mesma incapacidade de previsão, os mesmos erros, com a situação descontrolada», defendeu. «Quando as autoridades relaxam, os resultados são a fatura que estamos a pagar agora», acrescentou.

«Por cegueira ideológica, o Governo permitiu que o SNS entrasse em rutura», afirma. «Existe uma responsabilidade politica do Governo que podia ter evitado mortes e mais internamentos. Lamentamos profundamente este facto apesar do esforço suburbano dos nosso profissionais de saúde», disse Francisco Rodrigues dos Santos.

Já relativamente às escolas a «postura é de prudência». «É mais prudente evitar novos riscos decretando um encerramento mais geral nas escolas a partir dos 12 anos», defendeu o responsável falando em muitas «divergências».

PAN

Inês Sousa Real defende que «o facto de existir um pano de vacinação que nos dá esperança também nos diz que devemos continuar a adotar comportamentos» como a lavagem de mãos e a higiene e segurança.  «Os dados são bastante claros, estamos perante um tsunami sanitário, sendo que esta situação pode atingir-nos de forma muito expressiva.».

O PAN defende que o confinamento não deve fazer descurar outros apoios sociais e de proteção do emprego.

«O Governo devia ter apostado na formação dos diferentes profissionais de saúde, os dados indiciam uma maior pressão e internamentos, teria sido importante que se acelerasse esta formação, bem como que se acelerasse os concurso em curso. », adiantou.

Ao nível das escolas, «tivemos a oportunidade de manifestar a  preocupação para que os profissionais dos estabelecimentos que se mantém abertos também sejam vacinados», defendeu a deputada. «Compreendemos que existe algum receio de não se perderem os contextos de aprendizagem, mas consideramos que deve haver um maior planeamento para que o país não cometa os mesmos erros».

«O desconfinamento é tão ou mais importante que o confinamento», afirma Inês Sousa Real sublinhando que «estamos a atravessar um momento complexo, mas que exige respostas mais cabais à condição socioeconómica, para garantir que ninguém fica para trás».

A responsável refere ainda que «não iremos votar contra o estado de emergência, se será abstenção ou voto a favor depende do decreto», disse.

PEV

A deputada do PEV, Mariana Silva, adiantou que «são necessárias medidas de restrição que serão concretizadas quarta-feira». «É necessário com um novo confinamento, que se traga um pacote de outras medidas de apoio social e entómico e que todas as regras de proteção social sejam cumpridas», referiu.

A responsável sublinha a necessidade de «reforçar os cetros de saúde e os cuidados primários para que os portugueses se sintam protegidos». Por outro aldo, na questão das escolas, o partido considera que «as aulas devem ser presenciais desde que sejam tomadas as devidas precauções, porque a escola não é um local de transmissão do vírus».

Como medidas adicionais para garantir uma maior pervençam, a responsável fala numa redução das turmas, e num arejamento das salas de aula que deve ser feito quando os alunos estão no recreio.

Chega

Em representação do líder André Ventura, Nuno Afonso, vice-presidente do partido indica que «os números dos novos casos de ontem são inferiores à medida da semana, o que não significa que a situação esteja a melhorar», afirma.

Para além disso, o responsável falou sobre a testagem do Presidente da República. «O professor Marcelo faz vários testes diários, o que não está errado, o que me parece errado é este mediatismo que está a haver com a notificação dos testes». O resultado diferente que é dado a cada hora «descredibiliza a testagem que está a ser feita», adianta.

Sobre a pandemia, «há um ano fomos apanhados de surpresa, mas um depois continuamos praticamente à deriva», considera. «Tivemos os meses de verão para o Governo tomar uma atitude, sabíamos que haveria uma segunda vaga e o Governo aproveitou para ir de férias».

«Temos hospitais lotados, operações canceladas, tratamentos adiados e tudo isto é sem dúvida nenhuma culpa do Governo, mas também desta cegueira ideológica que não permite que haja uma negociação, que haja acordos com o privado, para que todos tenham acesso aos cuidados que precisam», adiantou Nuno Afonso.

O partido está de acordo com a abertura de escolas, de dentistas, mas considera que a restauração «também fez um grande investimento» , pelo que não deviam ser penalizados.

Iniciativa Liberal 

João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal adiantou que sobre «a temperatura exterior que tem conduzido a menor arejamento no local de trabalho, ou no local de ensino ou na própria residência não houve nem uma palavra», entre outras questões.

«O único dado novo que nos trouxeram foi uma discrepância entre o número de testes efetuados e o número de casos detetados nos dois sou três dias anteriores ao Natal, mas não ficámos esclarecidos sobre esta incerteza, que demonstra a capacidade de explicar por parte deste Governo».

O responsável revela que «estamos numa situação dramática, no limite da capacidade hospitalar, da capacidade de rastreio, da capacidade de exaustão dos profissionais de saúde e temos de tomar medidas de contenção sem as quais o país não poderá sobreviver, com mais uma vez um enorme custo económico e social».

«O que se pede ao Governo é que seja claro nas medidas que quer adotar e também nas compensações que vai dar aos trabalhadores e empresas cuja atividade teve de ser encerrada», afirma João Cotrim Figueiredo.

*Com Lusa 

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