Uma guerra comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos “afetará todos”, alertou esta quarta-feira António Costa, em entrevista à ‘Euronews’, garantindo que a União Europeia deve reagir de “maneira firme, mas inteligente” às tarifas recíprocas que serão reveladas por Donald Trump.
O presidente do Conselho Europeu manifestou esperança que o líder da Casa Branca recue no seu plano antes que ecloda uma guerra comercial devastadora. “Este é realmente um grande erro económico para os Estados Unidos e também para a Europa e o mundo inteiro”, sublinhou. “Precisamos responder de forma firme, mas também inteligente”, disse Costa.
“Isso significa que precisamos chegar a uma solução negociada. Tarifas significam impostos. Impostos que os consumidores americanos pagarão, que as empresas americanas pagarão. Não será bom para os americanos, mas também será mau para os europeus”, acrescentou. “Entrar numa guerra tarifária não é o melhor caminho, mas devemos, de facto, responder de tal forma que possamos encontrar uma solução negociada no interesse comum e mútuo dos Estados Unidos e da Europa – da economia americana e da economia europeia.”
Bruxelas prevê tarifas na casa dos dois dígitos, possivelmente tão altas quanto 25% na maioria, se não em todos, os bens. Analistas preveem que as medidas causariam estragos em ambos os lados do Atlântico e efetivamente religariam a ordem económica pós-II Guerra Mundial.
No entanto, António Costa expressou confiança na capacidade da Comissão de resistir à tempestade comercial e continuar as discussões com Washington até que seja alcançado um acordo. “As nossas relações comerciais representam 30% do comércio global (e) 40% do PIB global, então não afetará apenas a Europa e os Estados Unidos, afetará todo mundo, então é um grande erro”, apontou. “Mas espero que os Estados Unidos entendam a extensão desse erro e que possamos evitar uma guerra comercial. Num momento em que todos querem paz, não faz sentido criar uma guerra agora por causa do comércio”, acrescentou.




