Donald Trump revelou recentemente os planos para a sua futura biblioteca presidencial, um projeto que está já a gerar controvérsia tanto pelo seu conceito como pela sua localização. O edifício será marcado por um estilo luxuoso, com abundância de elementos dourados, uma estátua gigante do próprio Trump e até um museu dedicado a aeronaves – mas sem espaços tradicionais de leitura ou livros.
Um projeto grandioso e fora do convencional
O projeto, apresentado através de um vídeo divulgado na rede social Truth Social, mostra uma torre de vidro imponente a erguer-se no centro de Miami. O edifício contará com 47 andares, numa referência direta ao facto de Donald Trump ser o 47.º presidente dos Estados Unidos.
🚨 FIRST LOOK: The Donald J. Trump Presidential Library is officially here.
Over the past six months, I have poured my heart and soul into this project with my incredible team at @Trump.
Continue a ler após a publicidadeContinue a ler após a publicidadeThis landmark on the water in Miami, Florida will stand as a lasting testament to an… pic.twitter.com/azV1hx0HG2
— Eric Trump (@EricTrump) March 31, 2026
No interior, destaca-se um vasto átrio onde estará exposto um Air Force One, alegadamente oferecido pelo Emir do Qatar e avaliado em cerca de 400 milhões de dólares. Uma escadaria rolante dourada dará acesso aos pisos superiores, reforçando a estética de opulência associada ao projeto.
De acordo com o El Espanol, as imagens divulgadas não mostram qualquer sala de leitura ou biblioteca tradicional. Em vez disso, o espaço inclui um auditório dominado por uma enorme estátua dourada de Trump e várias referências a locais emblemáticos da sua presidência, como o Salão Oval ou o salão de baile da Ala Leste da Casa Branca.
Financiamento milionário e liderança familiar
A iniciativa está a ser liderada por Eric Trump, filho do ex-presidente, que dirige a fundação responsável pelo projeto em conjunto com Michael Boulos, marido de Tiffany Trump. O objetivo é angariar cerca de mil milhões de dólares para a construção.
O financiamento deverá vir, em parte, de doações privadas. Trump terá também manifestado intenção de contribuir com fundos provenientes de processos judiciais em curso contra várias empresas de media e tecnologia.
O terreno escolhido para a construção, avaliado em cerca de 60 milhões de euros, foi transferido para a fundação com o apoio do governador da Florida, Ron DeSantis, apesar de contestação pública e de um processo judicial que acabou por não travar a decisão.
Polémica com a comunidade cubana
A localização da futura biblioteca é um dos principais pontos de discórdia. O edifício será construído ao lado da Freedom Tower, um símbolo histórico para a comunidade cubana de Miami, que ali encontrou refúgio nas décadas de 1960 após fugir do regime de Fidel Castro.
Muitos residentes receiam que a nova torre venha a ofuscar a importância histórica da Freedom Tower, gerando tensão numa cidade onde vivem cerca de 700 mil cubanos.
O conceito de biblioteca presidencial em causa
Nos Estados Unidos, as bibliotecas presidenciais são tradicionalmente espaços dedicados à preservação de arquivos, documentos e materiais relacionados com o mandato dos presidentes. Esta tradição remonta a Franklin D. Roosevelt e é atualmente gerida pela Administração Nacional de Arquivos e Registos.
Normalmente, estes espaços incluem bibliotecas, arquivos e museus acessíveis ao público. Exemplos conhecidos incluem as bibliotecas de John F. Kennedy, em Boston, e de Ronald Reagan, na Califórnia, esta última famosa por exibir um avião presidencial Boeing 707.
No entanto, o projeto de Trump parece afastar-se deste modelo tradicional, apostando mais numa abordagem museológica e simbólica do que documental.
Um projeto à imagem de Trump
A nova biblioteca presidencial reflete claramente a marca pessoal de Donald Trump: grandiosidade, luxo e uma forte componente visual. A inclusão de elementos como ouro, uma estátua monumental e referências à sua carreira política e empresarial reforça essa identidade.
Ainda assim, a ausência de livros e de espaços de leitura levanta questões sobre o verdadeiro propósito do edifício, num conceito que desafia a tradição das bibliotecas presidenciais nos Estados Unidos.
À medida que o projeto avança, continua a dividir opiniões entre apoiantes e críticos, prometendo manter-se no centro do debate público nos próximos tempos.














