Trump prepara-se para nomear Jay Clayton para novo ‘czar da inteligência artificial’ dos EUA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá escolher Jay Clayton para assumir o cargo de czar da inteligência artificial da Casa Branca, numa decisão que poderá ser anunciada já esta sexta-feira.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá escolher Jay Clayton para assumir o cargo de czar da inteligência artificial da Casa Branca, numa decisão que poderá ser anunciada já esta sexta-feira. A nomeação surge num momento em que a administração norte-americana procura definir a sua estratégia para uma tecnologia que Trump apresenta como fundamental para a competitividade económica dos Estados Unidos, enquanto aumentam também os apelos à criação de limites para o seu desenvolvimento.

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Duas fontes familiarizadas com as discussões indicaram à CNN que Clayton é o nome escolhido por Trump para liderar a nova estrutura dedicada à inteligência artificial. Uma das fontes afirmou que o Presidente poderá anunciar a decisão ainda esta sexta-feira, 2 de outubro.

A Casa Branca não confirmou oficialmente a escolha. Um funcionário da Presidência afirmou que qualquer anúncio relativo à composição da administração será feito diretamente por Trump e classificou como “mera especulação sem fundamento” qualquer informação divulgada antes de um anúncio oficial.

Trump prepara nova força dedicada à inteligência artificial
A possível nomeação de Jay Clayton acontece depois de Trump ter anunciado, no mês passado, a intenção de criar uma “Força de IA” na Casa Branca e de designar um responsável específico para a área.

A iniciativa surge num contexto de crescente debate sobre a rápida evolução da inteligência artificial e sobre a necessidade de estabelecer limites para o desenvolvimento da tecnologia. Ao mesmo tempo, a administração Trump tem colocado a competição tecnológica e os benefícios económicos associados à IA entre as suas prioridades.

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Na terça-feira, Trump reuniu na Casa Branca vários responsáveis máximos de empresas de inteligência artificial e de tecnologia. O encontro terminou com a assinatura de um novo compromisso destinado a reforçar a “autorregulamentação” dos modelos de inteligência artificial desenvolvidos pelas empresas.

A escolha do responsável pela nova força surge, assim, poucos dias depois desse encontro entre o Presidente norte-americano e alguns dos principais executivos do setor tecnológico.

Trump já tinha afirmado anteriormente à Axios que Clayton seria um bom candidato para desempenhar as funções de czar da IA. A CBS News foi a primeira publicação a noticiar que o atual diretor de inteligência nacional era o favorito para o cargo.

Jay Clayton deverá acumular funções
Caso a escolha se confirme, Clayton deverá manter o cargo de diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos. As fontes indicaram que a nova função relacionada com inteligência artificial não deverá implicar a sua saída da liderança da comunidade de informações norte-americana.

Clayton foi confirmado pelo Senado em julho para assumir a direção da comunidade de inteligência dos EUA. Chegou ao cargo depois de Bill Pulte, executivo do setor imobiliário sem experiência em segurança nacional, ter sido nomeado por Trump para desempenhar interinamente as funções durante 40 dias.

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Antes de assumir a direção da inteligência nacional, Clayton tinha desempenhado funções como principal procurador federal em Manhattan e liderado a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos durante grande parte do primeiro mandato de Trump.

A acumulação das duas responsabilidades colocaria Clayton no centro de duas das áreas consideradas estratégicas pela administração norte-americana: a inteligência e o desenvolvimento da inteligência artificial.

Clayton considera a inteligência artificial uma oportunidade e uma ameaça
Durante a audiência no Senado que antecedeu a sua confirmação como diretor de inteligência nacional, Clayton foi questionado sobre a importância da inteligência artificial e deixou clara a sua preocupação com os riscos associados à tecnologia.

Na ocasião, classificou a IA como um “divisor de águas” e afirmou que esta representa simultaneamente uma oportunidade e uma ameaça. “Quando algo representa ao mesmo tempo uma oportunidade e uma ameaça, é melhor você se preparar para lidar com isso”, declarou.

A posição de Clayton enquadra-se num dos principais debates que acompanham atualmente o desenvolvimento da inteligência artificial: de um lado, o potencial económico e tecnológico da ferramenta; do outro, os riscos e preocupações associados à sua rápida expansão.

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David Sacks deixou o cargo de czar de IA em março
Jay Clayton poderá suceder a David Sacks, investidor de capital de risco que desempenhou as funções de czar de inteligência artificial e criptomoedas de Trump até março de 2026.

Sacks abandonou o cargo depois de atingir o limite de tempo permitido para exercer funções como funcionário especial do Governo. Atualmente, copreside o Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia do Presidente.

Apesar de já não ocupar formalmente o cargo de czar de IA e criptomoedas, Sacks continua a ter uma influência significativa junto de Trump nas questões relacionadas com inteligência artificial.

A escolha de Clayton representaria, neste contexto, uma nova configuração da estrutura de aconselhamento da Casa Branca numa área que ganhou peso político e económico durante o atual mandato presidencial.

Trump diz que decisão está próxima
Trump tinha afirmado na terça-feira que estava “muito perto de tomar uma decisão” sobre o nome que assumiria a liderança da nova estrutura dedicada à inteligência artificial.

“Anunciarei o nome nos próximos três ou quatro dias”, disse o Presidente aos jornalistas.

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Trump acrescentou que pretendia consultar primeiro “as empresas” e a liderança republicana na Câmara dos Representantes antes de concluir o processo de escolha.

A possível nomeação de Clayton surge, portanto, depois de o Presidente ter sinalizado que pretendia ouvir tanto o setor tecnológico como a liderança do seu próprio partido antes de anunciar o responsável.

Competição com a China é prioridade para Trump
A escolha do novo czar de inteligência artificial ocorre também num momento em que Trump tem colocado a competição tecnológica com a China entre as prioridades da administração.

O Presidente norte-americano tem deixado claro que considera ultrapassar a China no desenvolvimento da inteligência artificial uma prioridade, ao mesmo tempo que procura preservar os ganhos económicos associados à expansão da tecnologia.

Essa posição surge num contexto de crescentes preocupações públicas sobre os riscos da inteligência artificial. Trump tem, anteriormente, classificado esses receios como uma “farsa”, colocando maior ênfase na necessidade de garantir que os Estados Unidos mantenham uma posição de liderança tecnológica.

A eventual escolha de Jay Clayton poderá, assim, colocar à frente da nova força de IA da Casa Branca um responsável que continuará simultaneamente a dirigir a comunidade de inteligência dos Estados Unidos e que, durante a sua confirmação no Senado, reconheceu a natureza simultaneamente estratégica e potencialmente ameaçadora da tecnologia.

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