Os Estados Unidos emitiram esta sexta-feira uma licença que autoriza transações ligadas ao sector petrolífero e de gás da Venezuela para determinadas entidades, abrindo assim o caminho para que empresas como a Repsol retomem operações no país, conforme anunciado na página oficial do Departamento do Tesouro norte-americano. Esta medida representa uma flexibilização significativa das sanções que estavam em vigor desde 2019, quando Donald Trump impôs restrições durante a sua primeira administração.
De acordo com a informação oficial, a licença geral permite que empresas de energia, incluindo Chevron, BP, Eni, Shell e Repsol, retomem operações de petróleo e gás na Venezuela.
Outra licença permite que empresas em todo o mundo negociem contratos para novos investimentos em operações energéticas venezuelanas, embora não autorize transacções com entidades da Rússia, Irão ou China, nem com empresas controladas ou detidas por pessoas desses países.
Segundo o texto, esta decisão é a maior flexibilização das sanções desde a captura e remoção de Nicolás Maduro, ocorrida no mês passado.
Perspectivas de investimento e controlo dos EUA
O Departamento de Energia norte-americano indicou que Trump procura 100 mil milhões de dólares em investimentos de empresas no sector energético venezuelano. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que as vendas de petróleo desde a captura de Maduro já atingiram mil milhões de dólares e que se espera mais cinco mil milhões de dólares nos próximos meses. Wright esclareceu ainda que os EUA vão controlar os proveitos dessas vendas até que a Venezuela estabeleça um “governo representativo”.
Desde o início desta flexibilização, o Departamento do Tesouro emitiu várias licenças gerais para facilitar exportações, armazenamento, importações e vendas de petróleo venezuelano, bem como para permitir a provisão de bens, tecnologia, software ou serviços para exploração, desenvolvimento ou produção de petróleo e gás.
A licença destaca que o Governo de Trump procura incentivar empresas anteriormente afetadas, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, a investir no sector, após a Venezuela ter confiscado os seus ativos em 2007 sob o governo de Hugo Chávez. O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, já tinha declarado num encontro com Trump que a Venezuela era “não investível” no momento, mas Wright afirmou que a empresa se encontra agora em negociações com o Governo venezuelano e a recolher dados sobre o sector petrolífero.












