O presidente norte-americano Donald Trump anunciou hoje que a sua administração escolheu o West Potomac Park, em Washington, para acolher o futuro “National Garden of American Heroes” (Jardim Nacional de Heróis Americanos), um vasto projeto monumental que pretende reunir centenas de estátuas dedicadas a figuras históricas norte-americanas.
O anúncio foi feito através da plataforma Truth Social, onde Trump afirmou que o parque será transformado “num dos espaços públicos mais bonitos do mundo”. O Presidente descreveu ainda o local como um futuro “obra-prima de classe mundial”, com paisagismo elaborado e esculturas monumentais integradas no centro da capital norte-americana.
O projeto surge integrado nas iniciativas ligadas às celebrações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos e deverá incluir cerca de 250 estátuas em tamanho real de personalidades norte-americanas ligadas à política, direitos civis, ciência, cultura, desporto e entretenimento.
Jardim deverá incluir presidentes, cientistas e figuras da cultura
As listas anteriormente divulgadas pela Casa Branca incluem nomes como John Adams, Martin Luther King Jr., Amelia Earhart, Albert Einstein e Kobe Bryant, entre dezenas de outras figuras históricas e contemporâneas.
Trump recuperou a ideia do jardim monumental após regressar à presidência, depois de ter apresentado inicialmente o conceito durante o seu primeiro mandato. No entanto, apesar do anúncio oficial do local escolhido, o projeto continua envolvido em dúvidas legais, administrativas e logísticas.
O West Potomac Park situa-se junto ao rio Potomac, perto do Memorial Jefferson e do Memorial Martin Luther King Jr., numa das áreas federais mais sensíveis e reguladas da capital norte-americana.
Grande parte daquele território integra a chamada “reserve area”, abrangida pela legislação federal conhecida como Commemorative Works Act, que regula a construção de novos memoriais e monumentos em Washington.
Projeto poderá precisar de aprovação do Congresso
De acordo com essa legislação, qualquer novo memorial naquela área poderá necessitar de aprovação do Congresso norte-americano, além de avaliações obrigatórias por entidades federais de planeamento urbano e artístico.
A Casa Branca já tinha afirmado anteriormente que seguiria “todos os requisitos legais e aprovações” necessários, mas até ao momento não esclareceu se isso inclui uma autorização formal do Congresso.
Outra das questões levantadas prende-se com a própria lei dos memoriais federais, que determina que uma obra comemorativa “não pode ser autorizada antes do 25.º aniversário do evento, da morte do indivíduo ou da morte do último membro sobrevivente de um grupo”.
Várias personalidades incluídas nas listas divulgadas pela administração Trump morreram há menos de 25 anos, incluindo Kobe Bryant, Whitney Houston e o antigo juiz do Supremo Tribunal Antonin Scalia.
A Casa Branca não respondeu diretamente às questões relacionadas com a eventual necessidade de aprovação parlamentar. Ainda assim, o porta-voz presidencial Davis Ingle elogiou o projeto, afirmando que o “National Garden of American Heroes” será construído para refletir “o esplendor excecional e intemporal dos Estados Unidos”.
Aliados de Trump deverão avaliar o projeto
Os planos para o jardim deverão passar pela apreciação da National Capital Planning Commission e da Commission of Fine Arts, duas entidades federais onde Trump nomeou aliados políticos.
Ao mesmo tempo, a equipa de arquitetura e conceção do projeto começou também a ganhar forma. Segundo fontes citadas pelo The Washington Post, o arquiteto Michael Curtis foi escolhido para liderar o desenho do jardim monumental.
A equipa deverá incluir ainda os arquitetos Michael Franck e CJ Howard, o escultor Brian Kramer e o urbanista Dhiru Thadani.
Curtis e Franck mantêm ligações à National Civic Art Society, organização defensora da arquitetura clássica em monumentos públicos e que influenciou vários projetos arquitetónicos promovidos por Trump.
Projeto enfrenta desafios logísticos e financeiros
Apesar do anúncio, o cronograma inicialmente pretendido pela administração parece estar longe de ser cumprido.
Segundo pessoas familiarizadas com o processo, a National Endowment for the Humanities foi mobilizada para ajudar a supervisionar o desenvolvimento do jardim e lançou pedidos de propostas para as esculturas.
Numa fase inicial, o objetivo passava por concluir todas as 250 estátuas antes das comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos, mas fontes próximas do projeto admitem que esse calendário se tornou extremamente difícil de concretizar.
Além das dificuldades técnicas e financeiras, o projeto também tem gerado críticas entre residentes e defensores do património urbano da capital norte-americana.
Residentes e especialistas criticam planos para o parque
O West Potomac Park é atualmente utilizado por ligas desportivas locais e para atividades recreativas informais, levando alguns habitantes de Washington a manifestarem receio de perder acesso ao espaço público.
Trump minimizou essas preocupações e classificou o parque como “um campo totalmente vazio” numa zona privilegiada da cidade.
Na mesma publicação na Truth Social, o Presidente afirmou que pretende transformar Washington “na capital mais segura e bonita do mundo”.
O anúncio do jardim monumental surge acompanhado de outros projetos urbanísticos defendidos por Trump, incluindo um novo salão de baile na Casa Branca, cuja inauguração está prevista para setembro de 2028, e ainda um arco triunfal de cerca de 76 metros de altura junto ao Cemitério Nacional de Arlington.
Alguns especialistas em preservação histórica consideram, contudo, que os planos têm sido apresentados de forma desorganizada e sem discussão pública suficiente.
A historiadora de arte Judy Feldman, responsável pela National Mall Coalition, criticou a visão da administração Trump, defendendo que o National Mall “está novamente a ser visto como um terreno vazio para preencher”.
Como alternativa, Feldman sugeriu que figuras históricas poderiam ser distribuídas ao longo da área pedonal entre os museus Smithsonian, em vez da criação de um jardim monumental autónomo.
Fundação já procura financiamento privado
Entretanto, uma nova organização denominada National Garden of American Heroes Foundation começou já a circular documentos de angariação de fundos para apoiar o projeto.
Segundo o The Washington Post, os materiais promocionais incluem imagens conceptuais do futuro jardim e identificam Meredith O’Rourke, conhecida angariadora de fundos ligada a Trump, como contacto para potenciais doadores.









