Trump incentivou apostas em cripto de alto risco — mas protegeu os próprios ganhos em ativos mais seguros

Declarações financeiras mais recentes mostram que Trump recebeu mais de 1,4 mil milhões de dólares, cerca de 1,23 mil milhões de euros, em 2025

Francisco Laranjeira

Donald Trump e os dois filhos mais velhos incentivaram investidores a apostar em projetos de criptomoedas ligados à família, mas os gestores financeiros do presidente aplicaram uma parte significativa dos ganhos em ativos tradicionais considerados menos arriscados, como ações e obrigações.

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As declarações financeiras mais recentes mostram que Trump recebeu mais de 1,4 mil milhões de dólares, cerca de 1,23 mil milhões de euros, em 2025 através dos projetos World Liberty Financial e da criptomoeda especulativa $TRUMP, segundo uma análise da ‘Reuters’.

Ao mesmo tempo que esse dinheiro entrava, o valor das carteiras de ações e obrigações do presidente terá aumentado pelo menos quatro vezes. Trump detinha entre 703 milhões e 2,6 mil milhões de dólares, aproximadamente entre 615 milhões e 2,28 mil milhões de euros, nestes instrumentos no final de 2025.

Um ano antes, a carteira de ativos tradicionais estava avaliada entre 225 milhões e 608 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 197 milhões a 532 milhões de euros.

Os documentos apresentam os valores por intervalos, não permitindo determinar com exatidão quanto dinheiro proveniente dos criptoativos foi transferido para aplicações mais conservadoras. Ainda assim, nove especialistas consultados pela ‘Reuters’ consideram que os dados revelam uma estratégia pessoal cautelosa em relação às moedas digitais.

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A conclusão dos analistas é particularmente sensível porque Trump tem apresentado os ativos digitais como a nova fronteira das finanças e prometido transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas”. A estratégia financeira pessoal, contudo, parece ter passado por obter receitas através da venda dos tokens e diversificar depois os ganhos por ações e dívida.

Timothy Massad, antigo presidente da autoridade americana responsável pela supervisão de alguns criptoativos, considera que os documentos sugerem uma aposta em lucros rápidos através dos projetos digitais, seguida da aplicação desse dinheiro em ativos financeiros tradicionais.

O contraste ganha maior dimensão perante as perdas registadas pelos pequenos investidores. Uma investigação anterior da ‘Reuters’ concluiu que os compradores dos quatro principais projetos de criptoativos associados à família Trump acumulavam prejuízos de 2,3 mil milhões de dólares, cerca de 2,01 mil milhões de euros, até ao final de abril.

Trump não abandonou totalmente as criptomoedas. No final de 2025, detinha 15,75 mil milhões de tokens de governação da World Liberty, avaliados em mais de 50 milhões de dólares, aproximadamente 43,8 milhões de euros, recebidos em troca do seu envolvimento na empresa.

As sociedades que gerem os interesses do presidente na World Liberty e na $TRUMP detinham ainda pelo menos 160 milhões de dólares em bitcoin e ether, cerca de 140 milhões de euros, além de até seis milhões de dólares, aproximadamente 5,3 milhões de euros, em outros tokens.

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Trata-se de um aumento substancial em relação ao intervalo entre um e cinco milhões de dólares em ether declarado no final de 2024, o equivalente a cerca de 875 mil a 4,4 milhões de euros.

Apesar da exposição crescente, Trump não declarou ter comprado ações de duas empresas cotadas do setor das criptomoedas apoiadas pelos filhos Eric Trump e Donald Trump Jr., que têm promovido publicamente estes investimentos.

Eric Trump chegou a classificar a bitcoin como o melhor ativo da atualidade e previu que o preço poderia atingir um milhão de dólares, cerca de 875 mil euros. Na altura referida pela ‘Reuters’, a bitcoin rondava os 64 mil dólares, aproximadamente 56 mil euros.

A Trump Organization afirmou que as declarações demonstram uma posição financeira sólida, elevada liquidez e um balanço conservador. A Casa Branca acrescentou que os ativos do presidente estão em contas geridas de forma discricionária por instituições financeiras independentes.

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