Trump garante que “praticamente tudo foi destruído” no Irão e ameaça cortar comércio com Espanha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou esta terça-feira na Casa Branca que “praticamente tudo foi destruído” no Irão, referindo-se às capacidades militares de Teerão, no início de uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, na Sala Oval.

Pedro Zagacho Gonçalves

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta terça-feira que a ofensiva militar contra o Irão neutralizou praticamente todas as capacidades estratégicas do país e anunciou medidas duras contra aliados europeus que, segundo disse, não estão a cooperar com Washington. Entre eles, destacou Espanha e o Reino Unido.

As declarações foram feitas na Sala Oval, após uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, num momento em que o conflito com Teerão domina a agenda internacional.

Ao abordar a operação militar, Trump descreveu um cenário de destruição quase total das estruturas militares iranianas.

“Eles não têm marinha, foi destruída; não têm força aérea, foi destruída; não têm sistemas de deteção aérea, isso foi destruído”, declarou.

O presidente reforçou que “praticamente tudo foi destruído” e afirmou que os Estados Unidos estão “substancialmente à frente” das projeções iniciais. Segundo explicou, no início previa-se uma operação com duração de quatro a cinco semanas, mas garantiu que as forças norte-americanas têm “capacidade para ir muito mais longe”.

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“Estávamos a negociar com lunáticos”
Questionado sobre o processo de decisão que levou ao ataque, Trump revelou que a ofensiva ocorreu enquanto ainda decorriam negociações com Teerão.

“Estávamos a negociar com estes lunáticos”, afirmou.

Segundo o presidente, acreditava que o Irão se preparava para atacar primeiro. “Eles iam atacar primeiro, senti isso fortemente… Não queria que isso acontecesse”, declarou.

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Admitiu ainda que poderá ter influenciado o calendário da ofensiva israelita: “Posso ter forçado a mão de Israel”, acrescentando que “praticamente tudo o que eles têm foi agora destruído”.

Trump alertou para um cenário de risco caso haja mudança de regime em Teerão: “O pior caso é atingirmos o Irão e alguém assumir o poder tão mau como a pessoa anterior.”

Acusações de ataques a civis
Desde o início da ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel, no sábado, o presidente norte-americano acusou o Irão de retaliar contra países que, segundo disse, não estavam diretamente envolvidos no conflito.

“O Irão atingiu países que não tinham nada a ver com o que está a acontecer, o que mostra o nível de maldade com que estamos a lidar”, afirmou.

Acrescentou que Teerão está a atingir “apenas locais civis, hotéis e prédios de apartamentos”.

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Trump começou também por recordar os quatro militares norte-americanos mortos em combate, sublinhando que “hoje o país chora” a sua morte. “Em sua memória, continuamos esta missão com uma determinação feroz e inabalável para esmagar a ameaça que este regime terrorista representa para o povo americano”, afirmou, recebendo fortes aplausos na Sala Leste da Casa Branca ao agradecer aos membros das forças armadas.

Espanha na mira de Washington
A parte mais dura do discurso foi dirigida a Espanha. Trump classificou o país como “um aliado terrível” e anunciou ter ordenado o corte de negociações e acordos comerciais.

“Espanha está a ser terrível, pedi para cortar todos os acordos com Espanha”, afirmou, a partir do Salão Oval.

Em causa está a recusa do Governo espanhol em permitir a utilização das bases militares de Rota e Morón para lançar a ofensiva contra o Irão. O presidente norte-americano considerou a posição espanhola “pouco amistosa”.

“Não tem uma grande liderança, é o único aliado da NATO que não concordou em chegar aos 5% e, de facto, nem sequer pagam 2%. Vamos cortar todo o comércio”, declarou.

Trump colocou ainda em dúvida a capacidade de Madrid para impedir o uso das instalações militares: “Podemos usá-las quando quisermos, podemos voar e utilizá-las, ninguém nos vai dizer o contrário.”

Críticas também ao Reino Unido
O presidente dos Estados Unidos aproveitou ainda para criticar o Reino Unido. Depois de afirmar que está satisfeito com alguns aliados europeus, sublinhou que não é o caso britânico.

Disse estar “não feliz” com o país e criticou diretamente o primeiro-ministro Sir Keir Starmer, declarando: “Não estamos a lidar com Winston Churchill.”

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