Os principais especialistas em saúde classificaram a decisão de Donald Trump de suspender o financiamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) como um acto «condenável» que vai custar vidas, de acordo com o ‘The Guardian’.
Richard Horton, editor-chefe da revista médica ‘Lancet’, escreveu que a decisão de Trump foi «um crime contra a humanidade … Todos os cientistas, profissionais de saúde e cidadãos devem resistir e revoltar-se contra esta terrível traição à solidariedade global».
Também o Dr. Amesh Adalja, investigador sénior do Centro de Segurança da Saúde da Universidade Johns Hopkins, disse que a OMS cometeu erros e que pode ser necessária uma reforma, contudo esse trabalho deve ser feito depois da crise passar. «Não é no meio de uma pandemia que se fazem este tipo de coisas», defende.
Já Nahid Bhadelia, médico de doenças infecciosas e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, defende que o corte foi «um desastre absoluto. A OMS é um parceiro técnico global, a plataforma através da qual os países partilham dados / tecnologia, são os nossos olhos na visão global desta pandemia», refere.
Laurie Garrett, ex-membro sénior do Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse que a decisão foi um acto «condenável» de um Trump «rancoroso», que pode vir a custar vidas. «Enquanto isso, a OMS é a única tábua de salvação que a maioria das nações africanas, latino-americanas e da Ásia-Pacífico têm», indica.
A medida também foi repreendida pelo secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, que considera que a OMS é «absolutamente essencial nos esforços mundiais para vencer a batalha contra a Covid-19».
O responsável disse ainda que este «não é o momento» de suspender fundos ou questionar erros. «Depois de finalmente virarmos a página sobre esta epidemia, é preciso tempo para olharmos para trás, para entendermos a forma como esta doença surgiu e espalhou a sua devastação tão rapidamente em todo o mundo e como todos os envolvidos reagiram à crise», afirmou Guterres.
Recorde-se que na noite de terça-feira, Trump declarou que o financiamento dos EUA ficaria suspenso durante 60 a 90 dias, aguardando uma revisão «para avaliar o papel da Organização Mundial da Saúde, que encobriu a propagação do coronavírus». Os EUA eram o maior colaborador da OMS.
O Presidente norte-americano acusa a instituição de encobrir «a disseminação do coronavírus» e actuar para proteger a China. Os EUA são um dos países que mais contribuem para o orçamento da OMS.
«Os contribuintes dão entre 400 e 500 milhões de dólares por ano, a China contribui com 40 milhões de dólares. Uma das decisões mais mortíferas da OMS foi opor-se à interrupção de viagens da China e outras nações. Felizmente, não fiquei convencido, e suspendi essas viagens, salvando um número incontável de vidas», disse Donald Trump.














