Donald Trump afirmou que a megadoadora israelo-americana Miriam Adelson lhe ofereceu cerca de 230 milhões de euros para concorrer a um terceiro mandato presidencial em 2028, apesar de a Constituição dos Estados Unidos proibir expressamente essa possibilidade. A declaração foi feita pelo próprio presidente americano durante a receção de Hanukkah na Casa Branca, na noite desta terça-feira.
Segundo o ‘The Independent’, Trump destacou Adelson como a sua principal financiadora, afirmando que a empresária “doou direta e indiretamente” o equivalente a 250 milhões de dólares à sua campanha. “Quando alguém pode doar 250 milhões, acho que devemos dar-lhe a oportunidade de nos cumprimentar”, afirmou perante uma plateia reunida no Salão Leste.
“Mais quatro anos” ecoa na Casa Branca
Chamado ao palco, Miriam Adelson confirmou publicamente a conversa sobre um eventual terceiro mandato. A empresária revelou ter estado recentemente com Alan Dershowitz, professor de Direito da Universidade de Harvard, com quem terá discutido a hipótese de Trump permanecer mais quatro anos na Casa Branca. “Concordo consigo, podemos fazer isso”, afirmou.
A multidão respondeu com gritos de “Mais quatro anos”, enquanto Trump acrescentava que Adelson lhe teria prometido mais 250 milhões de dólares para essa eventual candidatura. “Eu vou ceder”, respondeu a empresária, num momento que reforçou a polémica em torno das declarações presidenciais.
Relação antiga e agenda pró-Israel
Trump aproveitou ainda o discurso para recordar o falecido marido de Miriam Adelson, Sheldon Adelson, antigo magnata dos casinos e um dos maiores doadores da política americana. O presidente sublinhou o papel central que Sheldon Adelson teve na defesa dos interesses de Israel junto da sua administração.
Durante o primeiro mandato de Trump, Sheldon Adelson pressionou a Casa Branca a transferir a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém. Após a sua morte, Miriam Adelson terá continuado a incentivar o presidente a apoiar posições como a anexação da Cisjordânia por Israel.
Insinuações recorrentes sobre 2028
Apesar de a 22ª Emenda da Constituição impedir mais de dois mandatos presidenciais, Trump tem insinuado repetidamente a possibilidade de voltar a candidatar-se. Em março, afirmou à ‘NBC News’ que “não estava a brincar” quando falava de um terceiro mandato, alegando que “muitas pessoas” desejam essa solução.
Mais recentemente, o presidente tem adotado um discurso ambíguo. Embora tenha admitido que gostaria de concorrer novamente, classificou a ideia como “forçada” e “não apropriada”. Questionado diretamente se excluía essa hipótese, respondeu: “Não estou a descartar? Terão de me dizer.”














