Trump ‘dispara’ tarifas ao mundo: especialista analisa efeitos que podem ter em Portugal

João Rodrigues dos Santos, docente coordenador da área de Economia e Gestão da Universidade Europeia, indicou à ‘Euronews’, que “é certo que, para Portugal, sendo um economia pequena e aberta ao exterior, existirão sempre algumas consequências que resultarão diretamente da aplicação de tarifas por parte dos EUA à União Europeia”

Francisco Laranjeira
Março 7, 2025
18:06

Donald Trump já anunciou a imposição de tarifas a vários países: 25% a Canadá e México, uma taxa adicional de 10% nas importações chinesas (subindo assim para 20%). No entanto, a União Europeia também será impactada. No final de fevereiro, o presidente americano anunciou que se preparava para aplicar, em breve, taxas alfandegárias de 25% sobre os produtos europeus – isto depois de ter indicado que todas as importações de alumínio e ação, incluindo as provenientes da União Europeia, teriam uma tarifa de 25%.

Mas que impacto terá em Portugal? João Rodrigues dos Santos, docente coordenador da área de Economia e Gestão da Universidade Europeia, indicou à ‘Euronews’, que “é certo que, para Portugal, sendo um economia pequena e aberta ao exterior, existirão sempre algumas consequências que resultarão diretamente da aplicação de tarifas por parte dos EUA à União Europeia”.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, Washington destaca-se como um dos mercados para os quais Portugal vende mais do que compra, sendo que em 2024 foi o país com o qual Lisboa teve o maior saldo excedentário (2.903 milhões de euros). No último trimestre de 2024, os EUA foram o quarto país para onde mais se exportou (1,3 mil milhões de euros) e o nono principal fornecedor (706 milhões de euros).

De acordo com o especialista, Portugal “está muito pouco exposto” ao impacto direto dessas taxas, uma vez que as “tarifas ainda não incidem sobre produtos acabados, apenas sobre matérias-primas”, portanto, um “impacto macro não muito significativo”, que afetarão “um conjunto restrito de empresas” – “para essas empresas, o mundo pode desabar”, alertou.

Entre as atividades mais expostas ao mercado americano, salientou João Rodrigues dos Santos, estão “a indústria química, sobretudo no que toca aos medicamentos e ao setor farmacêutico”, a “produção de plásticos e borrachas”, ou “mesmo o aço, que já é objeto de tarifas, e o alumínio”. No caso da indústria farmacêutica, “30% da produção total do setor em Portugal vai para os EUA”.

De forma indireta, Portugal pode vir a sentir dificuldades porque a Alemanha, sendo um dos principais clientes das exportações portuguesas, pode ser um dos principais – ou o principal – dos 27 da UE afetados pelas tarifas.

Para João Rodrigues dos Santos, “o que pode acontecer a Portugal, até de extraordinariamente pesado, não resulta do efeito direto [das medidas dos Estados Unidos], mas sim do efeito indireto, porque somos uma economia pequena e porque estamos abertos ao exterior”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.