Trump cancela negociações com a China. Futuro de um acordo comercial em ‘stand-by’

“Cancelei as negociações com a China”, disse Trump, esta terça-feira, em Yuma, Arizona. “Não quero falar com a China agora”, reforçou o presidente.

Sónia Bexiga

O Presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump anunciou a decisão de cancelar as negociações comerciais com a China, levantando algumas questões, e preocupações, quanto ao futuro de um acordo comercial que, neste momento, é o ponto mais estável num relacionamento cada vez mais tenso.

“Cancelei as negociações com a China”, disse Trump, esta terça-feira, em Yuma, Arizona. “Não quero falar com a China agora”, reforçou o presidente, citado pela ‘Bloomberg’.

Questionado se os EUA desistiriam da primeira fase do acordo, Trump disse apenas: “veremos o que acontece”.

O fecho das negociações exige uma notificação por escrito e entrará em vigor 60 dias depois, a menos que ambas as partes acordem uma data diferente.

As negociações nunca chegaram a nenhum calendário público oficial em Washington ou Pequim, mas o South China Morning Post informou que estavam marcadas para o sábado passado.

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A primeira fase do acordo comercial, que entrou em vigor em fevereiro, exigia discussões sobre a implementação do acordo a cada seis meses. O representante chinês nas negociações, Liu He, deveria realizar uma videoconferência com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, mas foi adiada indefinidamente.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, também recusou comentar a situação.

Em reação a estas declarações e consequente impasse, as ações chinesas “entraram numa espiral”, numa queda liderada pelas ações de biotecnologia, respondendo à crescente preocupação com as tensões entre as maiores economias do mundo. O CSI 300 caiu 1,5% no encerramento de ontem, na maior queda em quase um mês, enquanto o ChiNext, indicador do setor da alta tecnologia, caiu 3,3%.

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As negociações entre os EUA e a China continuam em níveis mais baixos, de acordo com Greg Gilligan, presidente da Câmara de Comércio Americana na China. Embora as compras pela China possam estar a acontecer de forma mais rápida, “há absolutamente um compromisso e progresso”, disse o responsável, esta quarta-feira.

“Acho que os dois lados reconhecem que esta é realmente a ‘cola’ que mantém o relacionamento unido. Não há muitos outros canais de comunicação que estão a funcionar bem”, disse Gilligan. “Portanto, este é um motivo para algum otimismo”, reforçou.

Embora a China esteja a fazer muitas das mudanças estruturais que prometeu em questões como proteção a propriedade intelectual, as compras de bens aos EUA estão bem abaixo para cumprir as metas prometidas, e quase não há hipótese de serem cumpridas agora face aos danos da pandemia da Covid-19 na economia global. O colapso do acordo pode levar a um retorno da guerra tarifária na mesma moeda, que prejudicou o comércio e as empresas em todo o mundo.

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