Trump apresenta plano para suspender a ajuda militar dos EUA a Kiev se não houver negociações de paz com Putin

Ucrânia só obterá mais armas dos EUA se entrar em negociações de paz: ao mesmo tempo, os Estados Unidos alertariam Moscovo que qualquer recusa em negociar resultaria num maior apoio dos EUA à Ucrânia

Francisco Laranjeira
Junho 25, 2024
10:39

Dois importantes conselheiros de Donald Trump apresentaram-lhe um plano para acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia – se vencer a eleição presidencial – que envolve dizer à Ucrânia que só obterá mais armas dos EUA se entrar em negociações de paz: ao mesmo tempo, os Estados Unidos alertariam Moscovo que qualquer recusa em negociar resultaria num maior apoio dos EUA à Ucrânia, avançou o tenente-general na reforma Keith Kellogg, um dos conselheiros de segurança nacional de Trump, em entrevista.

Segundo a agência ‘Reuters’, o plano elaborado por Kellogg e Fred Fleitz, que serviram como chefes de gabinete no Conselho de Segurança Nacional de Trump durante a sua presidência, prevê um cessar-fogo baseado nas linhas de batalha prevalecentes durante as conversações de paz. A estratégia já foi apresentada a Trump, sendo que o ex-presidente respondeu favoravelmente, salienta Fleitz. “Não estou a afirmar que concordou ou concordou com cada palavra, mas ficámos satisfeitos com o feedback que recebemos.”

O porta-voz de Trump, Steven Cheung, salienta no entanto que apenas as declarações feitas por Trump ou por membros autorizados da sua campanha deveriam ser consideradas oficiais.

A estratégia delineada por Kellogg e Fleitz é o plano mais detalhado já elaborado por associados de Trump, que afirmou que poderia resolver rapidamente a guerra na Ucrânia se derrotar o presidente Joe Biden nas eleições de 5 de novembro, embora sem discutir detalhes.

A proposta marcaria uma grande mudança na posição americana relativamente à guerra e enfrentaria oposição dos aliados europeus e dentro do próprio Partido Republicano de Trump.

Os elementos centrais do plano estão descritos num documento disponível publicamente no “America First Policy Institute”, um think tank apoiante de Trump, onde Kellogg e Fleitz ocupam posições de liderança. De acordo com Kellogg, é crucial levar rapidamente a Rússia e a Ucrânia à mesa de negociações se Trump vencer as eleições.

“Dizemos ao ucranianos que têm de se sentar à mesa e se não vierem o apoio dos Estados Unidos acabará”, salienta Kellogg. “E diz-se a Putin que tem de vir para a mesa e se não vier daremos aos ucranianos tudo o que eles precisam para matá-los em campo.” Moscovo também seria persuadido a sentar-se à mesa com a promessa de a adesão da Ucrânia à NATO ser adiada por um período prolongado.

Fleitz disse que a Ucrânia não precisa ceder formalmente território à Rússia de acordo com o seu plano. Ainda assim, garante, é pouco provável que a Ucrânia recupere o controlo efetivo de todo o seu território no curto prazo. “A nossa preocupação é que esta se torne uma guerra de desgaste que matará toda uma geração de jovens.”

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