Tropas da Coreia do Sul disparam tiros de aviso após incursão de soldados norte-coreanos na fronteira

Segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, cerca de dez militares da Coreia do Norte atravessaram a fronteira fortemente militarizada por volta das 17h00 locais (9h00 em Lisboa), obrigando o exército sul-coreano a reagir com disparos de aviso e mensagens através de altifalantes.

Pedro Gonçalves
Abril 8, 2025
12:46

A tensão voltou a aumentar na Península da Coreia depois de soldados norte-coreanos terem cruzado, esta segunda-feira, a linha de demarcação militar que separa os dois países. Segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, cerca de dez militares da Coreia do Norte atravessaram a fronteira fortemente militarizada por volta das 17h00 locais (9h00 em Lisboa), obrigando o exército sul-coreano a reagir com disparos de aviso e mensagens através de altifalantes.

As tropas do Norte recuaram imediatamente após a advertência, e não foram registados confrontos adicionais. No entanto, as autoridades de Seul classificaram o episódio como uma “provocação séria” e garantem manter um estado de elevada vigilância ao longo da Zona Desmilitarizada (DMZ).



O episódio insere-se num clima já tenso entre os dois países. A Coreia do Norte tem intensificado os seus testes de armamento e ignorado os apelos ao diálogo feitos pelos Estados Unidos. Desde a tomada de posse do Presidente norte-americano Donald Trump, a 20 de janeiro, a Casa Branca tem expressado repetidamente a intenção de retomar negociações com Pyongyang. No entanto, o regime de Kim Jong-un tem recusado qualquer reaproximação, acusando Washington de manter uma postura hostil, apesar da mudança de liderança.

As violações da linha de demarcação militar não são inéditas. Em junho de 2024, um grupo de soldados norte-coreanos atravessou brevemente a fronteira, também levando ao disparo de tiros de aviso. Na altura, as autoridades sul-coreanas atribuíram a movimentação a um erro, possivelmente causado por má visibilidade ou marcações confusas em zonas densamente arborizadas. Os militares estavam equipados com ferramentas de construção, o que reforçou a interpretação de que se tratava de uma incursão acidental.

No entanto, com o atual agravamento da situação política em Seul, o episódio de segunda-feira assume contornos mais delicados. O país vive um momento de instabilidade depois da destituição do Presidente Yoon Suk-yeol, afastado do cargo na semana passada na sequência da controversa imposição da lei marcial após protestos em massa. A decisão de Yoon foi amplamente criticada tanto a nível interno como internacional, e o vazio de poder tem tornado mais complexa a gestão da segurança nacional.

A linha de demarcação militar atravessa a península coreana numa extensão de 248 quilómetros e separa as forças armadas de ambas as Coreias numa faixa de quatro quilómetros de largura — dois para cada lado. Estabelecida no final da Guerra da Coreia, em 1953, no âmbito do armistício (e não de um tratado de paz formal), a DMZ é hoje uma das fronteiras mais fortificadas do mundo, equipada com arame farpado, minas terrestres, fossos antitanque e presença constante de unidades de combate.

As forças sul-coreanas não adiantaram qualquer motivo concreto para a recente movimentação das tropas do Norte, mas reiteraram a prontidão para reagir a qualquer ameaça. “Estamos a monitorizar atentamente todos os movimentos e preparados para agir caso necessário”, declarou um porta-voz do Estado-Maior Conjunto, citado pela imprensa local.

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