Troca de emails coloca reputação do Deutsche Bank novamente em risco

Pouco tempo depois de um controverso conjunto de emails trocado entre um membro do conselho de supervisão do Deutsche Bank e o então chefe executivo do Wirecard, Markus Braun, se ter tornado público na semana passada, o presidente do banco, Paul Achleitner, pegou no telefone para uma conversa tensa.

O responsável falou então com o seu colega, Alexander Schuetz, dando-lhe a conhecer que considerava o conteúdo da troca de emails inaceitável, de acordo com a Bloomberg. Embora o diretor tenha pedido publicamente desculpas pelos seus comentários, não tenciona demitir-se por enquanto.

Na conversa, Schuetz tinha pedido ao chefe executivo do Wirecard, Braun, para acabar com o Financial Times porque o jornal tinha publicado um artigo crítico sobre as contas da empresa de pagamentos. Após a troca se ter tornado pública, o Deutsche Bank deu o passo invulgar de repreender publicamente Schuetz, chamando os emails inaceitáveis em tom e conteúdo.

O furor crescente sobre a conduta do diretor corre o risco de prejudicar a posição pública do Deutsche Bank. Investidores e legisladores têm vindo a culpar as ações de Schuetz e a questionar o código de conduta do Deutsche Bank, numa altura em que o maior banco alemão trabalha para reparar a sua imagem danificada por escândalos passados.

“Vemos um risco de reputação muito elevado para o Deutsche Bank, especialmente porque há um debate muito público em torno do Wirecard”, disse Ingo Speich, um gestor de fundos da Deka, um dos 20 maiores acionistas da entidade emprestadora, citado pela Bloomberg.

Segundo o presidente do Deutsche Bank, não há um caminho direto para sair do escândalo. Embora o conselho de supervisão tenha o poder de nomear e demitir altos executivos, os seus próprios membros são votados pelos acionistas na assembleia geral.

O funcionário em causa, Alexander Schuetz, juntou-se ao conselho em 2017 e o seu mandato deverá continuar até 2023. Schuetz também faz parte do comité de nomeação do banco, o que o torna uma pessoas poderosa na escolha de novos membros do conselho – incluindo o presidente.

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