Tripla tributação – um novo conceito económico português

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

O orçamento de estado 2022 deve avançar com o englobamento dos rendimentos. Eliminando as diferenças entre taxas. E se fossem roubar outro?  Deixo algumas perguntas e reflexões para aferirmos da justiça da medida:

– Vai englobar as rendas de imobiliário quando as pessoas já pagam impostos sobre a aquisição das mesmas (IMT) acrescido do IMI , mais uma enormidade de taxas, mais a tributação autónoma?

– Vai englobar mais valias da venda de imobiliário quando as pessoas já pagam impostos sobre a aquisição das mesmas (IMT) acrescido do IMI , mais uma enormidade de taxas, mais a tributação autónoma?

– Vai englobar os juros dos depósitos quando os depositantes já pagaram, provavelmente, IRS sobre os mesmos? Não quer o estado um nível de poupança elevado?

– Vai englobar os dividendos distribuídos aos acionistas das empresas quando queremos que os empresários invistam capital próprio nas mesmas? E quando estas já pagam IRC? E os empresários já pagam IRS?

– Vai englobar as mais valias obtidas no mercado de capitais quando o dinheiro investido já pagou IRS ou IRC?

Mais uma vez, Portugal está a esforçar-se para acabar com os ricos, em vez de acabar com os pobres. E ainda por cima, julgo haver aqui um “imposto estilo combustível” para chegar aos 60% de imposto. No combustível é de mais de 60% do custo para o cliente em impostos e que com o englobamento vai chegar lá perto, nos rendimentos mais elevados, provocando uma dupla tributação dos rendimentos. Acrescido nalguns casos pelo IVA a pagar. Ou seja Portugal vai conseguir inventar um novo conceito económico, a “tripla tributação”.

A ideologia da extrema esquerda que é contra o capitalismo e qualquer forma de riqueza, está a tomar conta do orçamento. Mas é a riqueza que paga impostos que financia as prestações sociais  e cria emprego.

Portugal, Pobre País, que ainda não percebeu que não vai acabar com os ricos, mas vai acabar com a classe média. Aqueles que pouparam por não quererem ou poder consumir durante o COVID19, compram imobiliário para ter um rendimento extra e deixar património aos filhos, investem as poupanças em acções de menor risco, muitas vezes impingidas pelos gestores bancários… Os ricos, esses terão sempre forma de comprar acções noutros mercados de capital e fundos de investimento, colocar dinheiro em offshores, comprar imobiliário noutros países, não arrendar as casas e esperar que estas valorizem apenas.

E se fossem roubar outro?

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