Tribunal rejeita providência cautelar que impedia transladação de Eça de Queiroz para o Panteão Nacional

Trasladação foi aprovada, por unanimidade, na Assembleia da República a dia 15 de janeiro de 2021, “em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa”

Francisco Laranjeira
Setembro 25, 2023
17:16

O Supremo Tribunal Administrativo não deu seguimento à providência cautelar apresentada por alguns dos familiares de Eça de Queiroz para impedir a transladação do escritor para o Panteão Nacional. De acordo com o juiz, os herdeiros representam “uma minoria dos descendentes vivos” – tratam-se de seis bisnetos, o que indica que a maioria, os restantes 13, manifestaram-se a favor da transladação, sublinhou a rádio ‘Renascença’.

Vai agora ser marcada uma nova data para a trasladação, que estava prevista para esta quarta-feira. Recorde-se que a trasladação foi aprovada, por unanimidade, na Assembleia da República a dia 15 de janeiro de 2021, “em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa”.

No despacho do Supremo Tribunal Administrativo, não foi dado como “comprovada a alegação dos requerentes quanto à sua suposta representação da maioria dos descendentes vivos” e indicou que Eça de Queiroz não deixou expressa qualquer vontade sobre o seu funeral.

José Maria Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Varzim, em 25 de novembro de 1845 e formou-se em Direito, na Universidade de Coimbra.

Diplomata, passou largas temporadas longe do país, lançando na sua obra um olhar crítico sobre a vida em Portugal e assinando textos que, mais de 100 anos depois da sua publicação continuam a ser de leitura obrigatória e a serem adaptados quer ao teatro quer ao cinema e à televisão. Entre outros títulos, Eça de Queiroz escreveu “As Farpas”, com Ramalho Ortigão, “O Primo Basílio”, “O Crime do Padre Amaro”, “A Relíquia” e “Os Maias”.

No Panteão Nacional, em Lisboa, inaugurado em 1966, encontram-se sepultadas várias figuras da história política portuguesa, como Teófilo Braga, Sidónio Pais, Óscar Carmona e Humberto Delgado, assim como, das letras nacionais, nomes que vão de Almeida Garrett a Sophia de Mello Breyner e Aquilino Ribeiro, passando pela fadista Amália Rodrigues e pelo futebolista Eusébio da Silva Ferreira.

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