O Tribunal de Contas da União Europeia (UE) advertiu que os Estados-membros enfrentam sérias dificuldades para garantir a rápida mobilização dos seus exércitos, comprometendo a capacidade defensiva do bloco.
Num relatório divulgado nesta quarta-feira, a que o ‘El País’ teve acesso, os auditores europeus identificaram diversos obstáculos burocráticos e estruturais que impedem a circulação ágil de tropas e equipamentos militares entre países.
Entre os entraves apontados, destaca-se a falta de harmonização das normas de trânsito rodoviário. Em algumas situações, tanques e veículos militares de um país não podem atravessar para outro devido a restrições de peso. Além disso, barreiras de infraestrutura, como pontes incapazes de suportar equipamentos pesados, dificultam ainda mais a mobilidade, obrigando as tropas a fazerem desvios consideráveis.
O alerta surge em um momento crítico para a segurança europeia, com os países do bloco a investirem no fortalecimento das suas capacidades militares diante do cenário geopolítico instável.
Em 2022, a UE lançou o Plano de Ação sobre Mobilidade Militar 2.0, com vigência até 2026, visando aprimorar a circulação de pessoal e equipamentos militares dentro e fora do bloco. No entanto, o relatório dos auditores revela que a implementação do plano enfrenta dificuldades devido a problemas de concepção e financiamento. O orçamento inicial de 1,69 mil milhões de euros, previsto para durar até 2027, foi totalmente consumido até o final de 2023, evidenciando uma procura superior à capacidade financeira disponível.
Além disso, os auditores criticam a falta de coordenação central na gestão da mobilidade militar. Segundo o relatório, não há um órgão específico responsável por coordenar as ações entre os Estados-membros, resultando em sobreposições de regulamentações e dificuldades operacionais.





