Três leoas morreram num jardim zoológico de Tóquio com suspeitas de golpe de calor, numa altura em que o Japão enfrenta temperaturas recorde e milhares de pessoas têm necessitado de assistência hospitalar devido ao calor.
Os animais, com três, 11 e 15 anos, morreram entre 28 de julho e 2 de agosto no Parque Zoológico de Tama, situado em Hino, nos arredores ocidentais da capital japonesa.
Segundo o Independent, as autópsias revelaram sinais generalizados de desidratação e falência de vários órgãos. A causa definitiva das mortes, contudo, só será confirmada após a divulgação dos resultados laboratoriais.
São as primeiras mortes deste tipo registadas no parque desde que começou a manter leões, em 1964.
Dez dos 16 leões precisaram de tratamento
Os problemas começaram a 18 de julho, quando dois animais foram tratados por perda de apetite, depois de as temperaturas terem começado a subir a meio do mês.
Nos dias seguintes, os sintomas alastraram a vários elementos do grupo. Alguns dos leões chegaram a perder a capacidade de se manter de pé.
No total, dez dos 16 animais existentes no jardim zoológico precisaram de tratamento. Os funcionários recorreram a ventoinhas e pulverizadores de água para os arrefecer, além de lhes administrarem medicamentos.
Perante o agravamento do estado dos animais, o parque encerrou ao público a zona dos leões em 23 de julho.
Uma fêmea e dois machos continuam a receber cuidados veterinários. O jardim zoológico ainda não indicou quando poderá reabrir o recinto.
Jardim zoológico nunca tinha enfrentado situação semelhante
Miwa Kosaka, representante do parque, afirmou que a instituição nunca tinha vivido um episódio comparável.
Apesar de o verão anterior também ter sido quente, nenhum dos leões tinha adoecido desta forma.
O Parque Zoológico de Tama cria e exibe leões desde 1964. Em julho, tinha 16 animais, cinco machos e 11 fêmeas, com idades entre um e 20 anos.
Os leões vivem em estado selvagem sobretudo na África subsaariana e numa pequena reserva florestal do oeste da Índia. Apesar de estas regiões serem quentes, apresentam geralmente condições muito mais secas do que o verão japonês, marcado por elevada humidade e por temperaturas que descem pouco durante a noite.
Japão enfrenta dias acima dos 40 graus
As mortes ocorreram durante um verão que a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão classificou como uma situação de desastre, uma designação habitualmente utilizada para acontecimentos como terramotos e tufões.
Várias cidades registaram aquilo a que as autoridades começaram a chamar “dias cruelmente quentes”, correspondentes a temperaturas superiores a 40 graus Celsius.
O Japão ultrapassou os 40 graus durante cinco dias consecutivos até 25 de julho, a sequência mais longa desde o início dos registos comparáveis.
A agência meteorológica japonesa criou este ano o termo “kokushobi” para designar estes episódios. A expressão foi escolhida através de uma consulta pública que recebeu cerca de 478 mil respostas e representa a primeira nova categoria de calor introduzida desde 2007.
Mais de 18 mil pessoas hospitalizadas numa semana
Entre 20 e 26 de julho, 18.591 pessoas foram transportadas para hospitais devido a problemas relacionados com o calor.
Durante esse período, morreram 45 pessoas. Os cidadãos com 65 ou mais anos representaram cerca de 58% das hospitalizações.
Tóquio foi a prefeitura com o maior número de casos.
De acordo com o Independent, o centro da capital atingiu 36,5 graus no sábado, enquanto Hamamatsu, a oeste de Tóquio, chegou aos 39,7 graus.
No fim de semana, estavam ativos alertas de golpe de calor em 30 das 47 prefeituras japonesas.
Noites quentes deixam pessoas e animais sem alívio
As previsões apontam para a continuação das temperaturas elevadas, com a possibilidade de os termómetros atingirem os 40 graus em Hita, no sudoeste do país.
Em grande parte do Japão, as temperaturas noturnas mantêm-se acima dos 25 graus, impedindo que pessoas e animais recuperem do calor acumulado durante o dia.
Jardins zoológicos de todo o país têm adotado medidas adicionais de arrefecimento durante o verão.
As temperaturas extremas também dificultaram a resposta a um terramoto na região de Kumamoto, no sudoeste do Japão. As equipas de recuperação foram aconselhadas a evitar trabalhar durante as horas de maior calor.














