Três voos da TAP foram interrompidos em apenas quatro dias devido a problemas técnicos, obrigando duas aeronaves a regressar a Lisboa e uma terceira a desviar-se para a Base Aérea das Lajes, nos Açores.
A sucessão de ocorrências, pouco habitual num período tão curto, colocou a operação da companhia aérea sob maior atenção numa altura em que decorre o processo de privatização. Apesar disso, tanto a TAP como o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil garantem que não existem razões para alarme e que os procedimentos de segurança foram cumpridos.
Voo para Boston desviado para a ilha Terceira
O incidente mais recente aconteceu no domingo, durante uma ligação entre Lisboa e Boston operada por um Airbus A330-900.
De acordo com o Jornal de Notícias, a tripulação comunicou a existência de problemas técnicos e desviou o avião para a Base Aérea das Lajes, na ilha Terceira. A aeronave aterrou em segurança e, depois de o problema ter sido analisado, retomou a viagem rumo aos Estados Unidos sem novos incidentes.
Ricardo Penarroias, presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, explicou ao jornal que a ocorrência esteve relacionada com um sensor. A decisão de alterar a rota foi tomada por precaução e todas as condições de segurança permaneceram salvaguardadas.
Avião com destino a Curitiba regressou a Lisboa
No sábado, outro Airbus A330 da TAP, que seguia de Lisboa para Curitiba, regressou ao Aeroporto Humberto Delgado cerca de meia hora depois da descolagem.
Antes de aterrar, o avião realizou várias voltas sobre o oceano Atlântico para consumir combustível. A TAP atribuiu o regresso a uma “questão técnica”.
Dois dias antes, na quinta-feira, um voo com destino a Bissau também teve de voltar a Lisboa. Neste caso, a aeronave perdeu um dos motores durante o voo devido a uma falha na pressão do óleo registada durante a descolagem.
Sindicato afasta cenário de alarme
Apesar de os três episódios terem ocorrido num intervalo reduzido, Ricardo Penarroias considera que não há indícios de uma deterioração da segurança operacional da TAP.
Segundo o JN, o dirigente sindical afirmou que este não está a ser um verão particularmente diferente dos anteriores no que respeita à ocorrência de problemas técnicos na aviação.
Penarroias reconheceu, contudo, um aumento dos episódios relacionados com fumos ou odores no interior das cabines. Estas situações podem ter origem nos motores ou nos sistemas de ar condicionado e têm afetado outras transportadoras, incluindo recentemente a Azores Airlines.
O responsável sublinhou que estes casos não são exclusivos da TAP e não demonstram, por si só, um agravamento das condições de segurança.
Pilotos treinados para responder a emergências
O presidente do sindicato recordou ainda que os pilotos da aviação comercial recebem formação específica para enfrentar situações de emergência.
Decisões como regressar ao aeroporto de partida ou desviar uma aeronave para outro local fazem parte dos protocolos definidos para reduzir os riscos para passageiros e tripulações.
A TAP tem defendido que a segurança nunca esteve comprometida nos incidentes registados nos últimos dias e que todos os procedimentos previstos foram integralmente seguidos.














