Três em cada quatro líderes dizem que as empresas portuguesas estão a mudar mais rápido do que o setor

Três em cada quatro líderes empresariais em Portugal consideram que o ritmo de mudança nas organizações acelerou no último ano, enquanto mais de 80% esperam intensificar as iniciativas de transformação nos próximos 12 meses.

André Manuel Mendes

Três em cada quatro líderes empresariais em Portugal consideram que o ritmo de mudança nas organizações acelerou no último ano, enquanto mais de 80% esperam intensificar as iniciativas de transformação nos próximos 12 meses.

A conclusão resulta do estudo “Leading without a landing”, divulgado pela H/Advisors, que analisa a forma como as empresas estão a gerir um contexto marcado por disrupção tecnológica, pressão económica e transformação constante.

A investigação global, realizada em parceria com a YouGov no final de 2025, recolheu contributos de executivos seniores em vários mercados — incluindo Portugal, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Singapura e Emirados Árabes Unidos — e em nove grandes indústrias.

No caso português, o estudo traça o retrato de um ambiente empresarial em mudança contínua. Cerca de 75% dos líderes afirmam que o ritmo de transformação nas suas organizações aumentou no último ano e 82% esperam ampliar a escala dessas mudanças ao longo dos próximos 12 meses. Além disso, 74% consideram que a sua empresa mudou mais do que o restante setor no mesmo período.

Outro dos aspetos destacados é o papel da comunicação nos processos de transformação. Portugal, a par dos Emirados Árabes Unidos, destaca-se pela elevada importância atribuída à comunicação, com uma valorização média de 9,1 em 10. Ainda assim, tal como acontece noutros mercados analisados, muitos líderes admitem continuar a tratar a comunicação como uma função secundária, esperando que os recursos e orçamentos atuais sejam suficientes para responder às novas exigências — uma abordagem que o estudo identifica como um risco.

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A formação surge igualmente como uma prioridade crescente para as empresas portuguesas, sobretudo nas áreas da Inteligência Artificial (IA) e das competências de comunicação. Entre os executivos ouvidos, responsáveis pela área de pessoas destacam a necessidade de preparar as equipas para os desafios que a IA coloca na gestão de recursos humanos, enquanto outros alertam para os riscos de líderes sem formação adequada na comunicação de mensagens estratégicas, o que pode gerar discrepâncias entre a comunicação interna e externa.

Num plano global, a investigação sublinha que a aceleração das mudanças tecnológicas, o aumento da fragmentação geopolítica e a evolução das prioridades empresariais estão a redefinir o contexto em que as organizações operam. No centro desta transformação está a IA, cujo avanço está a remodelar indústrias e modelos de negócio a um ritmo mais rápido do que muitas organizações conseguem acompanhar.

Entre as principais conclusões globais do estudo destaca-se a multiplicidade de fatores que impulsionam a mudança nas organizações. Os líderes apontam os desenvolvimentos tecnológicos (77%), a IA (75%), as condições económicas (69%) e as crescentes expectativas dos clientes (66%) como os principais motores desta transformação.

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A investigação identifica ainda possíveis pontos cegos na gestão da mudança. Apesar da expectativa de aumento da atividade de fusões e aquisições, apenas 10% dos líderes consideram este domínio um desafio relevante no futuro, o valor mais baixo entre os obstáculos identificados.

Outra conclusão aponta para um desalinhamento na perceção de preparação para a mudança dentro das organizações. Os CEOs mostram-se os mais confiantes, atribuindo uma classificação média de 8,4 em 10 à capacidade das suas empresas para lidar com a transformação, enquanto os diretores de recursos humanos são os menos otimistas, com uma média de 7,5.

Por fim, o estudo indica que o maior risco para os processos de transformação não é a resistência dos colaboradores, mas sim a confusão. Falhas no planeamento, estratégias pouco claras e comunicação inconsistente surgem como alguns dos principais obstáculos à implementação bem-sucedida de mudanças nas organizações.

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