Três crianças fechadas em casa durante quase quatro anos: pais condenados no caso da ‘casa dos horrores’ em Espanha

As crianças — dois gémeos, então com oito anos, e o irmão mais velho, de dez — foram resgatadas pelas autoridades em abril de 2025

Francisco Laranjeira

Um casal que manteve os três filhos menores fechados durante quase quatro anos numa casa em condições degradantes, em Oviedo, no norte de Espanha, foi condenado a dois anos e dez meses de prisão, num caso que ficou conhecido como a ‘casa dos horrores’ e que abalou o país vizinho, relata o ‘The Independent’.

As crianças — dois gémeos, então com oito anos, e o irmão mais velho, de dez — foram resgatadas pelas autoridades em abril de 2025. De acordo com a investigação, estavam praticamente isoladas desde a pandemia de Covid-19 e não saíam sequer para o jardim da habitação.

Quando entraram na casa, os agentes encontraram sacos de lixo acumulados, medicamentos armazenados e um ambiente descrito como insalubre. As crianças usavam fraldas, dormiam em berços e apresentavam dificuldades motoras visíveis.

De acordo com fontes próximas da investigação citadas pelo ‘El País’, os menores não tinham televisão, dispositivos eletrónicos, quase não tinham brinquedos e nem sequer tinham sapatos do tamanho adequado. Os sapatos que existiam correspondiam ao número que usavam quatro anos antes.

O momento em que saíram para o exterior impressionou os agentes. As crianças tocaram na relva, respiraram como se estivessem a descobrir o mundo pela primeira vez e ficaram fascinadas ao ver um caracol.

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A acusação sustentou que os menores não tinham saído de casa durante anos, não conheciam familiares e apresentavam atrasos associados ao isolamento prolongado. O uso continuado de fraldas terá provocado dificuldades no controlo intestinal e urinário, enquanto a falta de movimento afetou a postura e a capacidade de subir e descer escadas.

O pai, de 53 anos, é cidadão alemão. A mãe, de 48, tem dupla nacionalidade alemã e americana. O casal vivia num chalé numa zona rural de Oviedo desde outubro de 2021.

Os dois foram considerados culpados de abandono familiar e de causar danos psicológicos aos filhos, mas foram absolvidos da acusação mais grave de detenção ilegal. O Ministério Público tinha pedido penas de 25 anos de prisão.

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A defesa alegou em tribunal que os pais tomaram “uma série de decisões, certamente erradas, incorretas, mas não criminosas”. O advogado da mãe afirmou ainda que as crianças tinham ensino doméstico, uma vida familiar estável e eram bem alimentadas.

A tese não convenceu o tribunal, que condenou cada progenitor a dois anos e dez meses de prisão. Além da pena de cadeia, os pais foram obrigados a pagar 30 mil euros de indemnização a cada criança e ficaram privados da guarda dos filhos por pelo menos três anos e quatro meses.

As crianças estão agora ao cuidado dos serviços sociais. O ‘The Independent’ refere que a decisão judicial não foi tornada pública na íntegra, por conter informação sensível sobre a privacidade das vítimas.

O casal, que se encontra em prisão preventiva desde a detenção, em abril de 2025, estará ainda a ponderar recorrer da sentença.

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