No dia 7 de janeiro, uma equipa de cirurgiões norte-americanos transplantou com sucesso um coração de porco num homem de 57 anos. Agora, o especialista Muhammad Mohiuddin, que participou na operação, diz que tal não teria sido possível sem o uso de uma mistura de substâncias que incluía cocaína.
Segundo o ‘La Vanguardia’, a complexa intervenção, inédita no mundo, demonstrou pela primeira vez que o coração de um animal pode viver num ser humano sem rejeição imediata. Mohiuddin, de origem muçulmana, falou sobre o porquê e explicou os detalhes do uso desta substância na revista ‘Vice’.
O médico especialista explica que era necessário preparar o coração transplantado com uma mistura de substâncias que, para além da cocaína, incluía dois hormónios: cortisol e adrenalina.
O objetivo dessa preparação era prolongar a viabilidade do coração e aumentar a sua capacidade de funcionar após a cirurgia. Em transplantes anteriores, já tinha sido documentada uma deterioração do órgão, disse Mohiuddin, adiantando que sem essa solução, esperavam-se as falhas “em 48 horas”.
O cocktail de substâncias ajudou o coração a ficar mais bem preservado “e começou a bater muito bem”, segundo o especialista, que explicou que o seu uso poderia, talvez, ser benéfico para outros transplantes de coração.
O uso de cocaína foi recomendado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos que, após o seu estudo, concedeu autorização para uso de emergência.
Para Mohiuddin, seria um grande avanço se esse processo pudesse ser aprovado pelas agências reguladoras, devido à complicação de movimentar os órgãos em tempo recorde, com essa etapa a permitir “trazer órgãos de outros estados”, ao prolongar a sua viabilidade .
Pelo menos por enquanto, o paciente continua em boas condições. Essa mistura de cocaína e hormónios e os avanços nas alterações genéticas contribuíram para o sucesso da operação, que permitiu que o coração de porco não fosse rejeitado pelo recetor.






