Transmissão da gripe aviária para mamíferos: Agência da ONU alerta para ameaça “sem precedentes”

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou um alerta sobre uma crise crescente da gripe aviária, com o vírus altamente patogénico H5N1 a propagar-se dos aviários para os mamíferos, aumentando preocupações sobre a segurança alimentar e um possível contágio para seres humanos.

Pedro Gonçalves
Março 17, 2025
16:12

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou um alerta sobre uma crise crescente da gripe aviária, com o vírus altamente patogénico H5N1 a propagar-se dos aviários para os mamíferos, aumentando preocupações sobre a segurança alimentar e um possível contágio para seres humanos.

De acordo com a FAO, o vírus foi identificado pela primeira vez na China, em 1996, e tem provocado abates massivos de aves em todo o mundo. Durante a epidemia de 2021-2022, a Europa perdeu 47,7 milhões de aves de exploração, enquanto os Estados Unidos abateram pelo menos 166 milhões desde o início do atual surto. Este impacto severo refletiu-se no aumento dos preços dos ovos nos EUA.

O vice-diretor-geral da FAO, Godfrey Magwenzi, classificou a situação como “sem precedentes”, alertando para “impactos sérios” na produção alimentar, no emprego rural, nas economias locais e nos preços ao consumidor.

O vírus H5N1 já ultrapassou os aviários, sendo detetado em mamíferos selvagens e domésticos, incluindo animais de zoológico, animais de estimação e gado leiteiro. Apesar de as infeções humanas continuarem raras, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) identificaram marcadores genéticos que podem facilitar a adaptação do vírus aos mamíferos, incluindo aos humanos. No entanto, até ao momento, não há evidência de transmissão sustentada entre humanos.

Diante deste cenário, a FAO apelou aos governos para reforçarem a vigilância, melhorarem a biossegurança e fortalecerem as respostas a surtos. “Uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco”, afirmou Beth Bechdol, também vice-diretora-geral da organização, sublinhando a necessidade de uma resposta coordenada a nível global para conter a propagação do vírus e evitar novos impactos nos sistemas alimentares.

Embora as aves selvagens desempenhem um papel fundamental na disseminação do H5N1, há evidências de que a criação intensiva de aves também pode contribuir para a aceleração dos surtos, sobretudo quando as medidas de biossegurança falham. Explorações de grande escala, onde milhares de aves são mantidas em espaços fechados, criam condições ideais para a disseminação e mutação do vírus.

Para já, as autoridades de saúde asseguram que o risco para os seres humanos continua baixo. No entanto, cientistas alertam que a crescente disseminação do vírus em mamíferos aumenta as probabilidades de uma mutação que lhe permita infetar humanos de forma mais eficiente, aumentando o perigo de um eventual surto entre pessoas.

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