A greve geral contra o novo pacote laboral marcou esta quinta-feira, mas as ações de protesto prolongam-se até ao final da semana. Esta sexta-feira, a estação de Santa Apolónia, em Lisboa, acolhe uma paralisação inserida numa mobilização europeia que reivindica mais comboios noturnos e uma mobilidade mais justa.
A iniciativa, que decorre em várias cidades europeias, assume na capital portuguesa o formato de uma silent disco, com participantes vestidos de pijama a dançar em defesa da melhoria da rede ferroviária europeia. O protesto destaca o desaparecimento de serviços como o Sud Express e o Lusitânia, suspensos desde 2020 e ainda sem reposição.
Os movimentos organizadores Back on Track, Stay Grounded e ATERRA explicam que a ação será uma “festa do pijama silenciosa”, na qual cada participante utiliza auscultadores e música própria enquanto ocupa as plataformas das estações participantes.
Em Santa Apolónia, o protesto está marcado para as 19 horas, no Cais 3, com música do coletivo DJ for Climate Action. Paralelamente, ações semelhantes realizam-se em estações de Helsínquia, Paris, Copenhaga e Berlim, num esforço concertado para pressionar governos e operadores a reforçarem as ligações ferroviárias internacionais.
Numa declaração citada pela Renascença, Francisco Pedro, do movimento ATERRA, afirma que Lisboa continua a ser uma exceção no panorama europeu: “Enquanto falam de novos aeroportos e de alta velocidade, Lisboa continua a ser uma das únicas capitais europeias sem qualquer ligação ferroviária internacional, apesar de a linha existir. Este serviço funcionou durante 130 anos e queremos que volte a funcionar hoje e por muito tempo no futuro. Os comboios noturnos são a opção mais saudável, confortável e ecológica para viagens longas.”
Inês Teles, da Stay Grounded, reforça que os comboios noturnos representam “a melhor alternativa à aviação”, defendendo que o setor aéreo precisa de ser reduzido de forma significativa à medida que o colapso climático se agrava. Para a responsável, a mobilidade ferroviária internacional deve ser reforçada rapidamente para permitir uma transição justa e sustentável.
A organização acrescenta que pediu reuniões à CP – Comboios de Portugal e ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, mas não obteve qualquer resposta até ao momento.










