Os lucros dos grandes intermediários mundiais no comércio de matérias-primas dispararam, no último ano, quase 60%, para um total de 104 mil milhões de euros ao câmbio atual, segundo apontou um relatório de empresa de consultoria americana Oliver Wyman – é a primeira vez na história que os traders ultrapassam a barreira dos 100 mil milhões de euros.
Os lucros, segundo o jornal espanhol ‘El Expansión’, representam o triplo face aos de 2018. O relatório, que não menciona nomes específicos, diz respeito a todas as commodities: petróleo, gás, metais preciosos e alimentos.
“Embora seja verdade que todos os setores foram afetados por esse grande crescimento, os verdadeiros protagonistas dessa expansão do mercado internacional de commodities têm sido os traders não tradicionais lastreados em ativos, ou seja, os independentes”, revelou o relatório, salientando o papel dos bancos e hedge funds, responsáveis por mais de 60% da receita do mercado.
Por setores, o petróleo continua a ser a ‘fatia mais saborosa do bolo’: dos 104 mil milhões de euros, 32% correspondem ao petróleo. Mas onde os ganhos dispararam foi no gás natural, que aumentou os lucros em 90% – tanto que quase iguala, com 31%, os lucros do petróleo.
Destaque igualmente para o aumento do negócio de gás liquefeito, que cresceu 40% e já representa 11% do total – assim, entre gás natural e gás liquefeito, o negócio de gás já responde por 42% do bolo, e excede o negócio do petróleo. É uma demonstração de como a guerra na Ucrânia transformou a economia global.
A Rússia foi o principal fornecedor de gás para a Europa e usou essa alavanca como arma económica, abrindo e fechando a torneira de abastecimento à vontade, o que motivou uma procura acelerada por fontes alternativas. Antes do conflito, todo o negócio de mediação financeira de gás em todo o mundo representava perto de 20%.
Em 2022, os aumentos em metais preciosos e alimentos foram mais modestos, com percentagens entre 45% e 50%. Juntos, os metais preciosos já respondem por 18% do total de lucros e os produtos alimentícios por 5%.












