Trabalho híbrido pode cortar emissões em até 90%: Portugal tem margem para ganhar, aponta estudo

Análise conclui que o modelo tradicional, baseado em viagens diárias para escritórios no centro das cidades, continua a ser o mais penalizador em termos ambientais

Executive Digest

O trabalho híbrido pode tornar-se uma das ferramentas mais eficazes para reduzir a pegada ambiental das empresas e das deslocações diárias. A conclusão surge num novo estudo da ‘International Workplace Group’ (IWG), desenvolvido em parceria com a Arup, que aponta para reduções nas emissões de carbono até 90% quando os colaboradores trabalham mais perto de casa.

A análise conclui que o modelo tradicional, baseado em viagens diárias para escritórios no centro das cidades, continua a ser o mais penalizador em termos ambientais. Já modelos flexíveis, que combinam casa, escritórios locais e presença pontual em sede central, permitem cortes expressivos nas emissões associadas ao trabalho.

Portugal enfrenta desafio de mobilidade

O tema ganha relevância particular em Portugal, onde os hábitos de deslocação continuam fortemente dependentes do automóvel. Segundo dados citados no estudo, cerca de 66% da população utiliza carro nas deslocações diárias.

Em cidades como Braga, esse valor sobe para 75,4%, enquanto Aveiro e Coimbra registam 73,8%. Mesmo em Lisboa, onde a rede de transportes públicos é mais robusta, o automóvel continua a representar 60,7% das deslocações.

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A pressão diária é visível também na Área Metropolitana de Lisboa, onde entram cerca de 390 mil carros por dia.

Transportes pesam nas emissões nacionais

Em Portugal, o setor dos transportes representa cerca de 30% das emissões de gases com efeito de estufa e 35,4% do consumo final de energia, reforçando o peso deste setor na transição climática.

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Neste contexto, o estudo defende que modelos de trabalho híbrido e descentralizado podem ter impacto direto na redução de emissões, sobretudo em países onde a deslocação casa-trabalho depende maioritariamente do carro.

Empresas também reduzem custos energéticos

Os benefícios não se ficam pelo ambiente. Segundo a IWG, empresas que adotaram modelos híbridos já conseguiram reduzir o consumo energético em cerca de 19%, graças a uma utilização mais eficiente dos escritórios e ao recurso a espaços flexíveis.

O estudo aponta ainda ganhos de produtividade, melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal e redução do stress entre colaboradores.

Mudança estrutural no mundo do trabalho

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Para Mark Dixon, fundador e CEO da IWG, a principal mudança passa por permitir que as pessoas trabalhem mais perto de onde vivem, reduzindo deslocações e impacto ambiental.

A empresa, dona de marcas como Spaces e Regus, conta atualmente com mais de 5.000 localizações a nível global e mais de 20 centros em Portugal, distribuídos por várias cidades.

Num momento em que sustentabilidade e eficiência entram no centro das decisões empresariais, o trabalho híbrido surge cada vez mais como resposta simultânea para empresas, trabalhadores e ambiente.

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