Trabalhava num hotel de cinco estrelas, foi colocada num armário sem janela e acabou despedida: vai receber mais de 230 mil euros

Tribunal do trabalho concluiu que Roberta Ghiotto, que tem perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), foi “preparada para falhar” pela entidade empregadora

Francisco Laranjeira

Uma funcionária de um hotel de cinco estrelas em Oxford, no Reino Unido, vai receber mais de 200 mil libras — cerca de 230 mil euros — depois de ter sido colocada a trabalhar durante três dias dentro de uma antiga arrecadação e posteriormente despedida.

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Segundo o ‘The Independent’, um tribunal do trabalho concluiu que Roberta Ghiotto, que tem perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), foi “preparada para falhar” pela entidade empregadora.

Ghiotto trabalhava como coordenadora de talento e cultura no Hawkwell House Hotel, em Oxford, gerido pelo grupo Accor, e tinha explicado que a PHDA lhe dificultava a concentração num escritório movimentado, sobretudo em tarefas que exigiam grande atenção ao detalhe.

Cerca de 25% das suas funções envolviam o processamento de salários, uma tarefa para a qual não tinha formação ou experiência específica e na qual começou a cometer erros.

Três dias numa sala sem janela

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Em fevereiro de 2024, o diretor-geral do hotel determinou que Ghiotto deveria dedicar-se exclusivamente ao processamento salarial durante três dias, afastada do restante escritório.

O local escolhido era uma antiga arrecadação, descrita no processo como uma pequena sala sem janela nem telefone. A funcionária pediu ajuda e mais um dia para concluir a tarefa, temendo não conseguir ultrapassar o período experimental.

Acabou despedida no mês seguinte por não ter atingido os padrões de desempenho exigidos.

O tribunal rejeitou, porém, a versão de que o isolamento tinha como objetivo ajudá-la a concentrar-se. A juíza Akua Reindorf considerou que o responsável estava, na realidade, a tentar reunir provas de que a funcionária não era capaz de desempenhar o cargo.

“Retirou-lhe todos os aspetos do trabalho de que gostava e nos quais tinha sucesso e obrigou-a a trabalhar apenas na tarefa com que tinha mais dificuldades”, concluiu o tribunal.

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Mais de 200 mil libras de indemnização

O tribunal considerou ainda que a PHDA de Ghiotto constituía uma deficiência protegida pela legislação britânica, apesar de, naquela altura, a funcionária não possuir um diagnóstico formal.

A decisão deu-lhe razão nas queixas por discriminação em razão de deficiência e por falta de adaptações razoáveis no local de trabalho.

Ghiotto recebeu uma indemnização de 200.252 libras, superior a 230 mil euros. Depois do despedimento, contou ter entrado numa “depressão profunda” e necessitado de acompanhamento médico e medicação.

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