Uma funcionária de um hotel de cinco estrelas em Oxford, no Reino Unido, vai receber mais de 200 mil libras — cerca de 230 mil euros — depois de ter sido colocada a trabalhar durante três dias dentro de uma antiga arrecadação e posteriormente despedida.
Segundo o ‘The Independent’, um tribunal do trabalho concluiu que Roberta Ghiotto, que tem perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), foi “preparada para falhar” pela entidade empregadora.
Ghiotto trabalhava como coordenadora de talento e cultura no Hawkwell House Hotel, em Oxford, gerido pelo grupo Accor, e tinha explicado que a PHDA lhe dificultava a concentração num escritório movimentado, sobretudo em tarefas que exigiam grande atenção ao detalhe.
Cerca de 25% das suas funções envolviam o processamento de salários, uma tarefa para a qual não tinha formação ou experiência específica e na qual começou a cometer erros.
Três dias numa sala sem janela
Em fevereiro de 2024, o diretor-geral do hotel determinou que Ghiotto deveria dedicar-se exclusivamente ao processamento salarial durante três dias, afastada do restante escritório.
O local escolhido era uma antiga arrecadação, descrita no processo como uma pequena sala sem janela nem telefone. A funcionária pediu ajuda e mais um dia para concluir a tarefa, temendo não conseguir ultrapassar o período experimental.
Acabou despedida no mês seguinte por não ter atingido os padrões de desempenho exigidos.
O tribunal rejeitou, porém, a versão de que o isolamento tinha como objetivo ajudá-la a concentrar-se. A juíza Akua Reindorf considerou que o responsável estava, na realidade, a tentar reunir provas de que a funcionária não era capaz de desempenhar o cargo.
“Retirou-lhe todos os aspetos do trabalho de que gostava e nos quais tinha sucesso e obrigou-a a trabalhar apenas na tarefa com que tinha mais dificuldades”, concluiu o tribunal.
Mais de 200 mil libras de indemnização
O tribunal considerou ainda que a PHDA de Ghiotto constituía uma deficiência protegida pela legislação britânica, apesar de, naquela altura, a funcionária não possuir um diagnóstico formal.
A decisão deu-lhe razão nas queixas por discriminação em razão de deficiência e por falta de adaptações razoáveis no local de trabalho.
Ghiotto recebeu uma indemnização de 200.252 libras, superior a 230 mil euros. Depois do despedimento, contou ter entrado numa “depressão profunda” e necessitado de acompanhamento médico e medicação.














