Trabalhadores em teletrabalho devem pagar mais impostos para ajudar quem recebe menos, defendem analistas

O imposto seria pago pelos empregadores e a receita gerada seria paga aos cidadãos que não podem trabalhar em casa.

Sónia Bexiga

Trabalhar em casa deveria ser tributado para ajudar a sustentar os trabalhadores cujos empregos estão sob ameaça, aponta o ‘Deutsche Bank Research’

Esta análise sugere um imposto de 5% sobre o salário de um trabalhador que opte por trabalhar em casa, ou seja, não se aplicaria em situações em que o trabalhador é forçado a ficar neste modelo devido às medidas restritivas do combate à pandemia da Covid-19.

O imposto seria pago pelos empregadores e a receita gerada seria paga aos cidadãos que não podem trabalhar em casa. As contas feitas pelo banco apontam para um cenário em que esta medida poderia render, por exemplo nos Estados Unidos, cerca de 48 mil milhões de dólares, o que ajudaria em muito a restabelecer o equilíbrio económico.

Os analistas sustentam esta proposta argumentando que seria o mais justo, atendendo a que aqueles que trabalham em casa estão em condições de economizar algum dinheiro, deixando de contribuir de igual modo para o sistema, quando comparado com os continuam a deslocar-se e a trabalhar fora de casa.

Outro dos cenários analisados leva-nos até ao Reino Unido. O Deutsche Bank calcula que o imposto geraria um montante total de aproximadamente 7,7 mil milhões de euros por ano, o qual poderia ser canalizado para pagar subsídios de 2, 2 mil euros por ano a trabalhadores de baixos rendimentos e aqueles que estão sob ameaça de demissão.

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Um imposto de trabalho de casa (WFH) de 5% sobre um salário médio de 55 mil dólares equivale a cerca de 10 dólares por dia nos Estados Unidos. Para o Reino Unido, o imposto equivale a cerca de 7 libras, com base num salário de 35 mil libras.

“Durante anos, precisamos de um imposto sobre os trabalhadores remotos”, escreveu o analista do Deutsche Bank, Luke Templeman, citado pela ‘BBC’.  “E a Covid tornou isso muito óbvio”, ressalvou. “Mas muito simplesmente, o nosso sistema económico não está configurado para lidar com pessoas que podem desligar-se da sociedade e viver sem o contacto presencial, cara a cara, com os outros”, concluiu.

O ‘Deutsche Bank Research’ prevê ainda que nos EUA vão passar agora a estar 4,6 mil milhões de trabalhadores a laborar a partir de cada, por ano, em vez de estarem no escritório.

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No entanto, existem outros milhões que não podem trabalhar em casa, como é o caso dos enfermeiros e operários fabris, e o imposto deve ajudar a sustentar etsas funções, argumenta ainda a análise do Deutsche Bank.

“O vírus beneficiou aqueles que podem fazer o seu trabalho virtualmente, como os analistas de bancos, e ameaçou a subsistência ou a saúde daqueles que não podiam”, acrescentou Templeman.

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