Os trabalhadores de serviços essenciais não aderiram à iniciativa do Governo, para o período em que as escolas se encontram encerradas, e não colocaram os seus filhos nas escolas de acolhimento preparadas para o efeito, de acordo com um comunicado da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), enviado às redacções.
A FENPROF afirma que a decisão teve que ver com o facto dos espaços serem «verdadeiros nichos de risco acrescido, uma vez que crianças de famílias onde já é grande o risco de contágio teriam de permanecer todo o dia com outras crianças de risco semelhante», tal como o organismo já tinha alertado, sublinhando que nada tem a ver com a confiança depositada nas escolas.
De norte a sul do país, quase nenhum aluno compareceu nas escolas de acolhimento, de acordo com dados da FENPROF.
«A razão para que isto esteja a acontecer é simples de explicar: num momento em que se apela aos portugueses que não saiam de casa, que evitem o contacto social, que se evitem os grupos de pessoas e que se encerraram as escolas, por poderem ser foco de contágio, as famílias de trabalhadores de serviços essenciais, como se esperava, não quiseram que os seus filhos corressem ainda mais riscos», refere o organismo em comunicado.
Neste sentido a FENPROF acredita que «a resposta social de que, eventualmente, estas crianças necessitam deverá ser garantida fora da escola: em primeiro lugar, procurando organizar a vida da família para que possam permanecer com as crianças, o que será possível se o trabalho distribuído não for simultâneo», fazendo um apelo ao governo português e a todo o executivo, nesse sentido.
Sublinha, no entanto que «em situações excepcionais, impeditivas de a criança ficar em casa com pai, mãe ou encarregado/a pela sua educação, e enquadrando-se a(s) profissão(ões) no conjunto das referenciadas como “serviços essenciais”, deverá a família poder escolher um cuidador que garanta o devido acompanhamento, incluindo a ligação ao(s) seu(s) professor(es) ou educador(es), pelas vias estabelecidas pela escola, sendo ao cuidador atribuídas as condições financeiras legalmente previstas para a família».
O Ministério da Saúde já garantiu essa possibilidade aos trabalhadores que tutela, mas a FENPROF considera que a medida deverá estender-se a todos os trabalhadores «que são hoje imprescindíveis, garantindo serviços essenciais na batalha que se trava contra a Covid-19».
«Face à quase nula afluência de alunos às escolas de acolhimento, não faz sentido que continuem a ser notificados docentes e não docentes para permanecerem nas escolas, adstritos a esta actividade, quando o que se apela às pessoas é que se mantenham em casa», defende a FENPROF, acrescentando que relativamente aos docentes, «esta actividade acaba, até, por prejudicar o mais importante que deles se espera neste momento: o trabalho e apoio aos seus alunos».
A federação dos professores termina reforçando que «não faz sentido esta resposta social que deverá ser substituída pela escolha de cuidador pelas famílias».



