Trabalhadores das Misericórdias protestam hoje frente ao Ministério do Trabalho contra retirada de direitos

A iniciativa, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), pretende contestar aquilo que classificam como “atrasos sucessivos” da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) nas negociações e denunciar a intenção do Governo de retirar direitos adquiridos.

Pedro Gonçalves
Agosto 22, 2025
7:30

Os trabalhadores das Santas Casas da Misericórdia realizam esta sexta-feira, às 11 horas, uma ação de denúncia em frente ao Ministério do Trabalho, em Lisboa. A iniciativa, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), pretende contestar aquilo que classificam como “atrasos sucessivos” da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) nas negociações e denunciar a intenção do Governo de retirar direitos adquiridos.

Em comunicado, o CESP afirma que “a União das Misericórdias Portuguesas atrasa sucessivamente a negociação com o sindicato representativo dos seus trabalhadores”. O sindicato acusa ainda o Governo de pretender retirar direitos conquistados, como “a valorização da antiguidade e o pagamento dos feriados a dobrar”.

Segundo o CESP, apesar de o Governo já ter assinado os protocolos de cooperação para 2025 — o que garante à UMP apoios para a atualização salarial desde janeiro —, a entidade patronal ainda não apresentou qualquer contra-proposta para a revisão do Acordo de Empresa. “Estamos em luta contra os dois projetos de Portaria anunciados pelo Governo, que na prática significam a retirada dos direitos que conquistámos e a imposição do Contrato Colectivo de Trabalho rejeitado pelo CESP aos nossos sócios”, lê-se no documento.

O sindicato alerta que, caso estas portarias se tornem definitivas, poderão traduzir-se em perdas salariais de até 105 euros para os trabalhadores mais experientes. “Lutámos e conquistámos as diuturnidades (a valorização da nossa antiguidade) e o pagamento do trabalho aos feriados a dobrar, não aceitamos andar para trás”, reforça o CESP no comunicado.

A ação desta sexta-feira é mais um passo no processo de luta iniciado em agosto, quando os trabalhadores das Misericórdias realizaram uma greve nacional. Nessa altura, as reivindicações centraram-se na valorização da antiguidade e na exigência de garantias salariais justas.

O CESP garante que os trabalhadores não irão recuar perante a possibilidade de perda de direitos, acusando a UMP de beneficiar dos apoios públicos sem responder às necessidades laborais. “Enquanto o Governo e a União das Misericórdias Portuguesas não garantirem a defesa dos direitos conquistados, manteremos a luta”, conclui o sindicato.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.