Trabalhadores da Saint-Gobain protestam dia 22 contra despedimento coletivo

Os trabalhadores da Saint-Gobain Securit Portugal, em Santa Iria da Azóia, Loures, decidiram hoje fazer uma marcha pelo emprego no dia 22, em protesto contra o encerramento da fábrica e o despedimento coletivo em curso.

A decisão foi tomada num plenário realizado ao fim da manhã, junto à empresa, onde os trabalhadores tentaram chamar a atenção de quem passava na estrada nacional, pendurando as suas camisolas de trabalho, verde fluorescente, no gradeamento da fábrica.

“Esta foi a forma criativa encontrada para lembrar cada um dos trabalhadores que vão ficar sem emprego, pois as camisolas tinham o nome deles escrito, e ficou prometido que todas as semanas será feita uma nova ação para contestar o encerramento da fábrica”, disse A coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM), Fátima Messias, à agência Lusa.

Para a próxima semana ficou marcada uma marcha que decorrerá durante a manhã na freguesia de Santa Iria e durante a tarde em Lisboa.

Na capital, os trabalhadores vão desfilar entre o Rossio e a Praça Camões, junto à qual se situa o Ministério da Economia, onde vão reclamar a manutenção da fábrica e do emprego.

Os representantes dos trabalhadores da Saint-Gobain reuniram-se no dia 08 com o secretário de Estado Adjunto da Economia, João Neves, a quem apresentaram uma ideia para aproveitar a fábrica e seus equipamentos para criar um produto inovador.

Segundo Fátima Messias, o governante ficou de fazer alguns contactos e dar uma resposta aos trabalhadores em novembro.

“Dado que os 130 trabalhadores são altamente qualificados e a fábrica está toda equipada, nós propusemos que, com algum investimento, se transformasse esta unidade numa fábrica de vidros com painéis solares para veículos automóveis híbridos, com grandes vantagens ambientais”, explicou a sindicalista.

De acordo com a dirigente sindical, este projeto daria bastante autonomia aos veículos elétricos e consistiria na produção de para-brisas, e restantes vidros para automóveis, com filamentos para captar a energia solar e transformá-la em energia elétrica.

Os vidros com painéis solares poderiam ser aplicados em todo o tipo de veículos, ligeiros ou pesados, e nos transportes públicos, contribuindo para a redução da poluição e de custos, defendeu Fátima Messias, acrescentando que no Japão a Toyota já tem protótipos com esta valência.

“Esta empresa tem os equipamentos e os trabalhadores com os necessários conhecimentos para desenvolver um projeto destes, que salvaria os empregos e seria bom para a economia nacional, mas o Governo tem de mover as suas influências”, considerou.

A negociação dos termos do despedimento coletivo da Saint-Gobain de Santa Iria da Azoia, Loures, terminou a 28 setembro sem acordo entre as partes e os trabalhadores, que viram a sua compensação majorada e alguns benefícios sociais prorrogados, prometeram continuar a lutar.

Dessa negociação resultou que a empresa vai duplicar o valor das indemnizações relativamente ao que é obrigatório por lei e vai manter alguns benefícios ao longo do próximo ano, nomeadamente seguros de saúde e de vida.

Dos 130 trabalhadores da fábrica, 06 vão ser recolocados num armazém da Saint-Gobain em Palmela e os restantes já receberam as cartas de aviso prévio de despedimento e, tendo em conta os prazos legais em função da antiguidade, vão perder o vínculo laboral em novembro e dezembro.

A empresa tinha contratado os serviços de uma consultora para ajudar a encontrar novos empregos para os trabalhadores a despedir e comprometeu-se a manter esse apoio até ao início do próximo ano.

Em Portugal, o Grupo Saint-Gobain emprega cerca de 800 trabalhadores distribuídos por 11 empresas e oito fábricas e totaliza um volume de faturação correspondente a 180 milhões de euros.

A decisão de encerramento da atividade produtiva da empresa e o consequente despedimento coletivo dos 130 trabalhadores foi anunciada no dia 24 de agosto.

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