Dirigentes, delegados e ativistas sindicais da Administração Pública concentram-se esta quinta-feira em Lisboa, numa jornada de protesto convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública. A iniciativa começa pelas 11 horas na Praça da Figueira e seguirá depois em marcha até ao Ministério das Finanças, com o objetivo de exigir ao Governo medidas que respondam à perda de poder de compra dos trabalhadores.
A mobilização surge num contexto de forte aumento do custo de vida, com os sindicatos a alertarem para o impacto do aumento dos preços dos combustíveis, do gás e de vários bens essenciais. Segundo a Frente Comum, os salários dos trabalhadores da Administração Pública continuam a ser atualizados abaixo da inflação, o que tem provocado uma perda acumulada de rendimento ao longo dos últimos anos.
A concentração, segundo a organização sindical citada pela Frente Comum, pretende pressionar o Governo a abrir um processo de negociação urgente para um aumento intercalar dos salários. Os sindicatos consideram que a atualização salarial aplicada pelo Executivo não corresponde a um verdadeiro aumento e não acompanha a subida generalizada dos preços.
A contestação ganha força num momento em que, segundo os sindicatos, o custo de vida continua a aumentar. A subida dos combustíveis e do gás tem impacto em cadeia em vários setores da economia, incluindo os preços dos alimentos e outros bens essenciais. Para os trabalhadores da Administração Pública, esta realidade agrava as dificuldades económicas e reduz ainda mais o poder de compra.
Os sindicatos sublinham também que esta situação contrasta com os resultados financeiros de algumas instituições financeiras. Um dos exemplos apontados é o do banco BCP, que registou lucros de 1.018,6 milhões de euros em 2025, um aumento de 12,4% face ao ano anterior e o valor mais elevado da história da instituição.
Perante este cenário, os trabalhadores exigem um conjunto de medidas imediatas. Entre as principais reivindicações estão o aumento intercalar de todos os salários e pensões, a atribuição do vínculo de nomeação definitiva, a valorização das carreiras e profissões e o reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.
Os sindicatos defendem ainda a revogação do SIADAP, o sistema de avaliação de desempenho da Administração Pública, propondo a sua substituição por um modelo que consideram mais justo e que valorize efetivamente o trabalho dos funcionários públicos.
A Frente Comum argumenta que os trabalhadores do Estado têm vindo a perder poder de compra de forma continuada e alerta que a tendência poderá agravar-se caso não haja medidas adicionais. O aumento da inflação e a subida das taxas de juro da habitação são apontados como fatores que pressionam ainda mais os rendimentos das famílias.
Segundo a organização sindical, exigir melhores condições de vida passa por garantir salários mais justos e por abrir um processo de negociação que permita responder às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores da Administração Pública.
A concentração contará com a presença do coordenador da Frente Comum e do secretário-geral da CGTP-IN, que deverão intervir durante a iniciativa para reforçar as reivindicações dos trabalhadores e apelar à valorização das funções públicas.














