Tomates e pepinos são as próximas vítimas da escassez de gás

O custo do cultivo de tomates, pepinos e pimentos no Reino Unido está a aumentar devido à crise energética que está a assolar a Europa. Em terras de Sua Majestade, o frio obriga a que a criação deste tipo de vegetais seja realizada dentro de estufas aquecidas, que agora padecem com a escassez de gás.

Como sublinha Nigel Jenney , responsável pelo Consórcio britânico de Produtos Frescos, “a colheita dos tomates está quase a chegar ao fim e os agricultores não sabem como aquecer as próximas plantações”. O representante do setor acredita que este problema pode atrasar a entrega de vegetais no Reino Unido e em outros países importadores.

Contactada pela Bloomberg, Cilia Ruinen, analista do ING Bank, lembra que “o Reino Unido não é o único a sofrer com este problema, já que também nos Países Baixos, um grande exportador alimentar da Europa existe uma dependência de estufas frias, para o cultivo de alguns vegetais como tomates, pimentos e pepinos.

Um duelo em que a Ásia sai a ganhar

Os compradores asiáticos estão a guerra de licitação para o gás natural proveniente dos EUA (no mercado spot), um mercado que até então era a grande esperança da Europa para encontrar uma solução rápida para a falta de stock de gás, um problema cada vez mais agudo, à medida que se aproxima o inverno.

As exportações de gás natural dos EUA podem ajudar a resolver a crise de abastecimento de combustível do continente, mas os importadores na Ásia estão a pagar mais que os europeus, elevando o preço do gás para novos máximos, como não era visto há dez anos.

As ofertas dos importadores europeus não têm sido altas o suficiente para atrair suprimentos spot da crescente indústria exportadora de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA. A indústria americana condensa este combustível de forma a enviá-lo mais facilmente em petroleiros. Neste momento, porém estas exportações estão a ser direcionadas a compradores que estão dispostos a pagar mais na Ásia e às vezes também na América do Sul, de acordo com o Financial Times.

Quando a empresa britânica de energia Centrica assinou um acordo de fornecimento em 2013 com a Cheniere Energy, pioneira nas exportações de gás liquefeito dos EUA, o então primeiro-ministro David Cameron disse que o acordo forneceria aos “consumidores britânicos uma nova fonte de combustível, a longo prazo, segura e acessível”. Agora, estas declarações não passam de meras palavras levadas pelo vento.

A maioria do GNL é entregue através de contratos a longo prazo, mas as transações spot nas quais os embarques são comprados e vendidos livremente representam de 10% a 20% da quantidade de gás vendida por dia, através barcos carregados de GNL que  partem dos EUA, de acordo com Amber McCullagh, diretora da consultora Enverus, entrevistada pelo FT, e é aqui que a Europa está a perder a guerra.

Países como o Japão, a Índia e a China estão a comprar o máximo de stock que conseguem ainda antes do inverno, o que aumenta a concorrência pela pequena fração da oferta que é livremente negociada no mercado à vista e que não está ligada aos contratos a longo prazo.

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