A Ucrânia garantiu o fornecimento de petróleo e produtos refinados provenientes de países do Golfo em contrapartida do apoio militar que está a prestar na região, anunciou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Os acordos, celebrados em março com a Arábia Saudita, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos, preveem cooperação na área da defesa e garantias energéticas de longo prazo para Kiev.
Na sexta-feira, num encontro com jornalistas, Zelensky revelou detalhes dos entendimentos alcançados, sublinhando: “Celebrámos acordos de dez anos com três países”. Segundo explicou, em troca da experiência de combate acumulada pela Ucrânia ao longo de quatro anos de guerra com a Rússia — sobretudo no domínio da guerra com drones — Kiev receberá interceptores de mísseis, assistência financeira e, “mais importante”, fornecimentos de petróleo e gasóleo.
Combustível crucial face à escassez interna
O chefe de Estado detalhou que os acordos assumem diferentes formatos. “Em alguns casos, recebemos petróleo bruto que será entregue a refinarias na Europa para processamento”, afirmou. “Noutros, estamos a falar de produtos acabados — gasóleo.”
A Ucrânia enfrenta uma escassez significativa de combustível devido aos ataques persistentes da Rússia contra depósitos energéticos e aos riscos associados ao armazenamento de grandes quantidades de combustível num país sob bombardeamento. Os preços do gás também dispararam, e o Governo reconheceu que depende de fornecedores estrangeiros para cerca de 85% das suas reservas de combustível.
Relatos anteriores indicaram que militares ucranianos chegaram a racionar gasóleo, essencial para alimentar equipamentos pesados no terreno, como tanques e outros veículos blindados utilizados nas frentes de combate.
Especialização ucraniana em drones como moeda de troca
Os acordos surgem num contexto de crescente instabilidade no Médio Oriente, marcado por ataques com drones iranianos, nomeadamente modelos Shahed de baixo custo, semelhantes aos utilizados pela Rússia contra território ucraniano. Países aliados de Washington na região procuraram Kiev para beneficiar da sua experiência operacional no combate a este tipo de ameaças.
No mês passado, Zelensky enviou mais de 200 militares das unidades ucranianas especializadas em defesa anti-drones para apoiar os parceiros do Golfo na contenção dos ataques iranianos.
O Presidente ucraniano acrescentou que já garantiu combustível suficiente para o próximo ano e que negociações semelhantes estão em curso com Omã, Kuwait e Bahrein, podendo ampliar a rede de cooperação energética e militar da Ucrânia no Médio Oriente.










