Os 200 casos positivos da Covid-19 reportados três dias depois pelo laboratório, obrigando agora a Direção-Geral da Saúde a alocá-los um a um ao concelho onde ocorreram, podem ser “uma gota no oceano estatístico da pandemia”, noticia, esta terça-feira, o ‘Observador’.
“Estamos a fazer um trabalho de fundo para aproximar dados locais de dados nacionais. Como estamos a fazer implementação de plataformas informáticas, e a última delas foi no passado dia 2, vamos levar dois, três, quatro dias, os que forem necessários, para atualizar os números”, explicou, esta segunda-feira, a diretora-geral da Saúde Graça Freitas.
Assim, durante esta semana, atendendo a que os dados dos concelhos não batem certo — e nunca bateram — com os totais nacionais, as autoridades de saúde vão cruzar todas as informações de casos positivos colhidas regionalmente com os dados nacionais.
O resultado será então o retrato fidedigno do novo coronavírus por região.
Nos últimos dois dias, o boletim com os novos casos diários em Portugal, não trouxe a distribuição dos dados pelos concelhos. Por baixo das habituais listas de concelhos, uma nota em letras mais pequenas explicava: “Este relatório de situação não inclui a atualização da imputação de casos aos concelhos. A DGS está a realizar a verificação de todos os dados com as autoridades locais e regionais de saúde que ficará concluída durante os próximos dias”.
Nesta conferência, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, também explicou que a “discrepância de números” está, primeiro, relacionada com um aspeto técnico. É que a recolha dos casos positivos faz-se através de duas plataformas diferentes: uma a ser preenchida pelos médicos (a SINAVE Med) e outra pelos laboratórios (SINAVE Lab). Além destas duas, há também a ‘Trace Covid’, que, com aqueles dados, cria muitos outros e faz a lista de todos os contactos e todas as pessoas que devem estar em vigilância.
Uma fonte da DGS explicou ao Observador que, por vezes, os dados inseridos na plataforma pelos laboratórios nem moradas têm e são muitas vezes incompletos, dificultando o cruzamento com a informação da outra plataforma.
Além desta questão técnica, o governante apontou ainda a “discrepância tempestiva” entre os números que são recolhidos pelas autoridades locais de saúde, cuja primeira preocupação é, muitas vezes, “identificar os doentes, proteger, isolar e tratar”, e só depois reportar os dados.













