Titânio falsificado coloca em causa segurança dos aviões da Boeing e Airbus, revela investigação

Foram descobertos componentes feitos de titânio em aviões Boeing e Airbus que foram fabricados com base em documentação falsificada, levantando sérias preocupações sobre a integridade estrutural dessas aeronaves.

Executive Digest
Junho 14, 2024
14:30

Foram descobertos componentes feitos de titânio em aviões Boeing e Airbus que foram fabricados com base em documentação falsificada, levantando sérias preocupações sobre a integridade estrutural dessas aeronaves.

A informação foi divulgada por um fornecedor dos fabricantes de aviões e está a ser investigada pela Spirit AeroSystems, pela Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA, e pela Agência para a Segurança da Aviação da União Europeia, revela o ‘The New York Times’.

A Spirit AeroSystems, que fornece fuselagens para a Boeing e asas para a Airbus, identificou pequenos buracos no material devido à corrosão. Este problema, originado por um fornecedor turco de materiais, a Turkish Aerospace Industries, remonta a 2019, quando comprou um lote de titânio de um fornecedor na China, e que passou por várias empresas antes de ser utilizado na fabricação de peças aeronáuticas.

A FAA está a investigar a extensão do problema e as suas implicações de segurança. Em comunicado, a Boeing informou ter relatado voluntariamente a aquisição de material através de um distribuidor que pode ter falsificado registos.

Até ao momento, não se sabe quantos aviões possuem peças feitas com material questionável, mas inclui modelos Boeing 737 Max, 787 Dreamliner e Airbus A220 fabricados entre 2019 e 2023. A Spirit está a trabalhar para determinar a origem do titânio e se ele corresponde aos padrões de segurança, além de avaliar a necessidade de remoção e substituição das peças afetadas.

A situação agrava a já delicada reputação da Boeing, que enfrenta uma série de investigações de segurança após vários incidentes recentes.

Dave Calhoun, presidente-executivo da Boeing, deve testemunhar perante um painel do Senado sobre as questões de segurança da empresa. As revelações também afetam a Airbus, que afirmou que a aeronavegabilidade do A220 permanece intacta, mas continua a realizar testes rigorosos.

Os documentos falsificados são conhecidos como certificados de conformidade, essenciais para garantir a rastreabilidade e qualidade do titânio usado na fabricação. A origem do material permanece obscura, com suspeitas de falsificação de documentos por um funcionário da empresa chinesa que vendeu o titânio, revela a mesma fonte.

A Spirit está a testar os componentes para assegurar a conformidade com os padrões de aviação e a trabalhar com clientes para identificar e monitorizar os aviões afetados, que poderão ser retirados de serviço mais cedo, se necessário.

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