Um grupo de investigadores criou um novo dispositivo médico baseado na análise da saliva que pode vir a tornar-se uma alternativa eficaz e não invasiva aos métodos anticoncecionais tradicionais. O equipamento, que mede os níveis de progesterona — a hormona-chave na fertilidade feminina — demonstrou uma taxa de eficácia de 92% na prevenção da gravidez, aproximando-se dos níveis de proteção oferecidos pela pílula anticoncecional, mas sem os efeitos secundários típicos associados ao seu uso. A informação foi divulgada pelo elEconomista.es, com base em dados avançados pelo Euronews.
Inicialmente concebido para ajudar mulheres a identificar os seus períodos férteis e assim aumentar as hipóteses de engravidar, o dispositivo revelou-se também eficaz no sentido inverso. Durante um estudo realizado com mais de 200 mulheres alemãs, que utilizaram o aparelho durante seis meses, os investigadores constataram que nenhuma delas foi incorretamente informada sobre os seus dias férteis. A recomendação, nos dias de maior probabilidade de ovulação, era que evitassem relações sexuais desprotegidas. O resultado: o sistema não errou uma única vez na previsão dos dias férteis.
A British Standards Institution (BSI), entidade reguladora responsável pela certificação de dispositivos médicos no espaço europeu, já aprovou o equipamento, o que abre caminho à sua comercialização na União Europeia a partir de setembro de 2025.
Ao contrário de outras opções como os dispositivos de monitorização da temperatura corporal, que também visam acompanhar o ciclo hormonal feminino, o teste de saliva apresenta-se como uma solução mais cómoda, acessível e fácil de usar. Pode ser realizado em casa, de forma rápida, e com custos mais baixos.
O funcionamento é simples: a utilizadora coloca uma pequena amostra de saliva numa tira reativa, que é depois introduzida num dispositivo eletrónico. Este mede os níveis de progesterona e vai, com o tempo, “aprendendo” as variações hormonais do corpo, permitindo prever com precisão os dias de maior fertilidade. A chave da eficácia está no acompanhamento personalizado dos níveis hormonais, ajustado ao ciclo de cada mulher.
Apesar dos bons resultados, a empresa responsável pelo dispositivo alerta que não é recomendado para mulheres com ciclos menstruais irregulares ou que tenham estado grávidas ou a amamentar recentemente.
O desenvolvimento deste método insere-se num panorama de crescente procura por alternativas aos anticoncecionais hormonais. Com uma abordagem não invasiva, sem efeitos secundários conhecidos e com base em dados hormonais precisos, este novo teste de saliva poderá representar um avanço importante no controlo da fertilidade e na autonomia reprodutiva das mulheres.














