Terror numa cidade chinesa: tufão deixa 900 cobras à solta e mulher morre após picada de naja

Pelo menos 39 pessoas morreram na sequência da passagem do tufão pela região. Nas últimas horas, a ‘CNN’ noticiou que as cheias provocaram a fuga de animais de um zoológico, que começaram a circular livremente pela cidade

Francisco Laranjeira

O tufão Maysak deixou um cenário de destruição no sul da China e uma consequência inesperada: centenas de cobras e vários animais de um zoológico ficaram à solta depois das inundações atingirem a cidade de Hengzhou.

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Segundo o ’20 Minutos’, pelo menos 39 pessoas morreram na sequência da passagem do tufão pela região. Nas últimas horas, a ‘CNN’ noticiou que as cheias provocaram a fuga de animais de um zoológico, que começaram a circular livremente pela cidade.

O caso mais preocupante envolve cerca de 900 cobras, muitas delas venenosas, que terão sido arrastadas dos seus recintos ou conseguido escapar devido à subida das águas. As autoridades chinesas mobilizaram equipas especializadas na captura de répteis e reforçaram as reservas de soro antiofídico, perante o receio de um aumento no número de picadas.

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De acordo com a mesma informação citada pelo 20 Minutos, uma mulher morreu depois de ter sido mordida por uma cobra que, segundo os primeiros relatos, poderá ter sido uma naja. As autoridades pediram à população que evite qualquer contacto com os animais e que comunique de imediato avistamentos suspeitos.

Nas redes sociais continuam a circular vídeos e imagens de répteis em ruas e zonas alagadas, aumentando o alarme entre os moradores. O governo local recomendou ainda que a população evite sair durante a noite e se afaste de zonas com vegetação, lagoas ou outros locais onde as cobras possam procurar abrigo ou alimento depois das cheias.

As cobras não foram os únicos animais a escapar. As inundações terão permitido a fuga de duas zebras, um boi corcunda, três cavalos miniatura, dois burros e outras espécies. O zoológico privado de Guigang emitiu um alerta de emergência na noite de quarta-feira, avisando os moradores para a presença de animais desaparecidos.

Entre os animais em fuga estarão também avestruzes, emas e guaxinins. O zoológico alertou que algumas destas espécies podem tornar-se agressivas se se sentirem ameaçadas, pedindo aos residentes que não tentem aproximar-se e que informem as autoridades caso encontrem algum dos animais.

O impacto das cheias estendeu-se também à produção pecuária. O portal chinês Shangyou News noticiou que mais de 16 mil porcos foram arrastados pelas águas. Vídeos divulgados online mostram operações de resgate com recurso a máquinas pesadas, usadas para retirar animais de áreas inundadas.

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Hengzhou é conhecida como a “capital do jasmim” da China, devido a uma tradição de mais de cinco séculos no cultivo da flor usada na produção de chá. Mas a cidade e a região de Guangxi também são conhecidas pela criação de serpentes, uma atividade com forte presença local há várias décadas.

Na província de Guangxi, que faz fronteira com o Vietname, foram identificadas mais de cem espécies de cobras. A região tem ainda uma tradição associada à captura e ao consumo de carne de serpente, prática integrada em parte da cultura culinária local.

A passagem do tufão Maysak veio expor a vulnerabilidade destas zonas perante inundações súbitas. Para além das vítimas mortais e dos danos materiais, a fuga de animais acrescenta um novo risco para a população, numa altura em que as autoridades tentam controlar os estragos, capturar os animais e evitar novos incidentes.

Para os moradores, a orientação é clara: não tentar capturar cobras ou outros animais, evitar deslocações desnecessárias e manter distância de zonas alagadas ou com vegetação. Depois do tufão, o perigo não está apenas na água que ficou para trás, mas também nos animais que ela libertou.

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