Terra vai ‘dar à luz’ um novo supercontinente, aponta estudo, e isso não é uma boa notícia para os humanos

Há quatro cenários possíveis apontados por especialistas para a formação de uma enorme massa de terra

Francisco Laranjeira

A Terra vai voltar a ser o lar de um supercontinente, o que significa péssimas notícias para os humanos, embora demore cerca de 200 milhões de anos para acontecer. Segundo um estudo publicado na ‘Geological Magazine’, há quatro versões proeminentes sobre a evolução deste supercontinente:

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No primeiro cenário, assume-se que o Oceano Atlântico continua a abrir-se enquanto o Pacífico continua a fechar-se. No entanto, o Pacífico está cheio de zonas de subducção, ou lugares onde as placas oceânicas estão a afundar-se nas placas continentais e depois no manto da Terra – razão pela qual 80% dos grandes terramotos ocorrem nas margens do Oceano Pacífico, também conhecido como ‘Anel de Fogo’. Como resultado dessa atividade tectónica, as Américas vão continuar a separar-se da Europa e de África, o que significa que eventualmente vão colidir com o norte da Antártida e depois com África, Europa e Ásia, que já estarão ‘amontoadas’. Enquanto isso, a Austrália terá ‘ancorado’ no leste da Ásia. O resultado é um imenso megacontinente chamado ‘Novopangea’.

No cenário ‘Pangea Proxima’, o Atlântico e o Oceano Índico continuam a expandir-se até que novas zonas de subducção puxam os continentes novamente, resultando numa colisão entre a Eurásia e o resto dos continentes. Para poder visualizar o resultado final, imagine uma massa de terra em forma de anel com uma pequena bacia oceânica no centro.

O Pacífico e o Atlântico são oceanos realmente antigos – 200 milhões e 180 milhões de anos, respetivamente. E o que aconteceria se ambos fechassem? Então nasceria o supercontinente de ‘Aurica’, palavra que resulta da junção entre Austrália e América.

“Assumimos que existem apenas dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico. Mas na Terra há mais opções, como o Índico”, explicou João C. Duarte, professor da Universidade de Lisboa e criador da hipótese ‘Aurica’. “É possúvel que fechem tanto o Atlântico como o Pacífico, porque ambos são neste momento muito antigos”, apontou, em declarações à revista ‘Popular Mechanics’. “Tudo o que é preciso é um terceiro oceano, que já existe: o Índico, o mais novo do grupo, com 140 milhões de anos. Então se o Índico se abrir, e o Atlântico e Pacífico se fecharem, todos os sete continentes vão tornar-se num grande ‘Aurica’ ao redor do equador.”

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Por último, a teoria ‘Amásia’ (junção de América e Ásia) especulou que o Atlântico e o Pacífico vão permanecer abertos enquanto o Oceano Ártico vai-se fechar. Nesse caso, todos os continentes, exceto a Antártida, vão começar a mover-se para o norte e vão estabelecer-se perto do Polo Norto. “O que vai resultar num enorme oceano ao redor do Polo Norte e a Antártida do outro lado”, explicou o investigador.

As alterações dos continentes vão, naturalmente, trazer mudanças no climas e não só:

Se o cenário de ‘Amasia’ ofuscar os demais e todas as massas da Terra estiverem ao redor dos polos, vai ser interrompida a correia transportadora oceânica, um sistema de circulação em constante movimento que transporta calor do equador para os polos, o que vai provocar polos mais frios e cobertos de gelo durante todo o ano. Já o cenário ‘Aurica’, por outro lado, pode tornar-se mais agradável, uma vez que se situa perto do equador, logo resultando em mais calor.

Mas há um problema. Uma ‘Amasia’ glacial acabaria com quase todas as formas de vida na Terra, poupando apenas a vida no oceano. Mas também a ‘Aurica’ será cruel com muitas espécies. “Muitas vão enfrentar uma competição feroz e lutas entre si pela sobrevivência à medida que os continentes se unem. Devemos esperar extinções em massa”, referiu o cientista.

Estas mudanças não iremos senti-las na nossa vida, ou na vida dos nossos netos, ou mesmo na vida de mil netos que nos sucedam. Mas estão a acontecer agora, embora não as possamos sentir – constantemente, subtilmente e impercetivelmente. “Temos construções de montanhas na Terra. Temos novas ilhas a ser geradas no Pacífico a partir de vulcões… As placas ainda estão a mover-se no planeta e há um terramoto na escala 6 de Richter todos os dias em algum ponto do planeta”, explicou Michael Way, cientista físico do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA.

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