A Terra está no meio de uma bolha de 1.000 anos-luz de “queijo suíço” esculpida por supernovas

Estudo publicado recentemente aponta que foram necessárias 15 supernovas para a criação desta ‘superbolha’

Francisco Laranjeira

A Terra está ‘envolvida’ numa bolha de mil anos-luz de largura com uma superfície densa que vem dando origem a milhares de estrelas bebés. Um novo estudo, publicado na revista ‘Nature’, apontou que a responsabilidade da criação desta ‘superbolha’ está em pelo menos 15 explosões estelares poderosas.

A ‘superbolha’ (ou ‘Bolha Local’), o vazio gigantesco, foi descoberta por astrónomos na década de 1970 depois de perceber que nenhuma estrela se havia formado dentro da bolha durante cerca de 14 milhões de anos. As únicas estrelas existentes eram anteriores ou formaram-se fora do vazio – o sol é um desses invasores, o que sugeriu que várias supernovas eram responsáveis por este vazio. Essas explosões teriam deixado o material necessário para fazer novas estrelas, como hidrogénio, para fora de uma enorme área no espaço, ficando para trás a ‘Bolha Local’.

No estudo, os cientistas mapearam com precisão as regiões de formação de estrelas ao redor da ‘Bolha Local’ e, ao fazê-lo, calcularam a rapidez com que a ‘superbolha’ está a expandir-se, o que permitiu à equipa de especialistas determinar quantas supernovas foram necessárias para esculpir o gigantesco vazio cósmico e assim entender como as regiões de formação das estrelas são criadas na Via Láctea.

“Ao rastrear as posições e movimentos de estrelas jovens próximas nos últimos milénios, reconstruímos a história de nossa vizinhança galáctica”, precisou Catherine Zucker, investigadora do Hubble da NASA no Space Telescope Science Institute em Maryland.

“Poderosas explosões de supernovas desencadearam uma onda de choque em expansão, varrendo nuvens interestelares de gás e poeira numa concha densa que agora forma a superfície da ‘Bolha Local'”, garantiu Zucker. A onda de choque continua a empurrar a superfície para fora, fazendo com que a bolha se expanda.

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“Conseguimos descobrir o que está atualmente na superfície em expansão da ‘Bolha Local’ e compará-lo com o que deve ter sido injetado pelas supernovas para impulsionar a sua expansão”, referiu Zucker. “Descobrimos que eram necessárias 15 supernovas para alimentar a expansão, dado o momento atual da concha”, disse.

A Via Láctea, portanto, “assemelha-se a um queijo suíço muito esburacado, nos quais os buracos no queijo são provocados por supernovas. As novas estrelas podem-se formar no queijo ao redor dos buracos criados por estrelas moribundas”, apontou a coautora Alyssa Goodman, astrónoma da Universidade de Harvard, em comunicado.

“A Terra está atualmente localizada bem no coração da ‘Bolha Local’, mas não é isso que torna esse local especial”, lembrou Zucker. “É que, por acaso, o sol está centrado dentro da bolha”, acrescentou; O sol estava a cerca de 1.000 anos-luz de distância quando a bolha começou a formar-se e entrou há ‘apenas’ 5 milhões de anos. O sistema solar nem sempre ficará preso dentro dessa bolha, descobriu a equipa de cientistas. “O sol deve sair da bolha daqui a cerca de 8 milhões de anos”, alertou Zucker.

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