Tensão não abranda em Ceuta: migrantes atacam agentes, atiram pedras a militares e há três detidos

Elementos da Unidade de Segurança Cidadã da Guarda Civil (USECIC) intervieram para controlar a situação e terão sido atacados pelos dois homens, que acabaram detidos por agressão às autoridades

Francisco Laranjeira

A tensão continua nas ruas de Ceuta. Três migrantes foram detidos esta quarta-feira em diferentes incidentes, dois deles depois de uma luta com facas e de alegadamente terem agredido elementos da Guarda Civil, enquanto um terceiro foi intercetado depois de atirar pedras contra um comboio de militares que patrulhava a cidade.

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Os incidentes aconteceram numa altura em que centenas de pessoas continuam à espera de conseguir lugar nas estruturas temporárias de acolhimento montadas pelas autoridades espanholas, depois da entrada em Ceuta de dezenas de milhares de migrantes no final de julho.

Segundo o ’20 Minutos’, os primeiros dois detidos são cidadãos marroquinos de 26 e 29 anos. Foram intercetados pela Guarda Civil durante a madrugada, na praia de Trampolín, depois de se terem envolvido numa luta com recurso a facas.

Elementos da Unidade de Segurança Cidadã da Guarda Civil (USECIC) intervieram para controlar a situação e terão sido atacados pelos dois homens, que acabaram detidos por agressão às autoridades.

Noutro ponto da cidade, a Polícia Nacional deteve um terceiro migrante depois de este ter atirado pedras contra um comboio de militares destacado para patrulhar as ruas de Ceuta.

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A presença das Forças Armadas faz parte do reforço de segurança mobilizado durante a atual crise, embora os militares não tenham o estatuto de agentes policiais e, por isso, não possam efetuar detenções.

Mais de 500 pessoas junto ao centro

Os problemas não ficaram por aí.

A polícia espanhola voltou a intervir em Loma Colmenar, onde mais de 500 pessoas se encontravam concentradas durante a madrugada junto às estruturas temporárias de acolhimento, segundo fontes policiais citadas pelo ’20 Minutos’.

Parte dos migrantes esperava conseguir uma das vagas disponíveis nas tendas instaladas naquele local. Um grupo terá tentado forçar a entrada no recinto, levando à intervenção dos agentes para dispersar os envolvidos e restabelecer a ordem.

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A pressão sobre estas estruturas tem vindo a aumentar. A ‘RTVE’ relatava já na terça-feira que centenas de pessoas continuavam à espera de lugar nas cerca de 1.200 vagas existentes em Loma Colmenar, algumas permanecendo na rua durante vários dias.

Dentro do recinto, os migrantes que já conseguiram lugar utilizam pulseiras que permitem às forças de segurança distingui-los das pessoas que permanecem no exterior.

A zona em redor de Loma Colmenar transformou-se entretanto num acampamento improvisado, semelhante ao que surgiu anteriormente na praia de Trampolín. De acordo com o 20 Minutos, muitos dos que ali permanecem são homens marroquinos entre os 18 e os 35 anos e alguns afirmam esperar há mais de dez dias por uma vaga.

Ceuta tenta recuperar a normalidade

O Governo espanhol está a tentar aumentar rapidamente a capacidade de acolhimento na cidade autónoma. Cerca de 800 pessoas tinham sido transferidas até terça-feira para novos espaços, aproximadamente 500 das quais para Loma Colmenar e 300 para o Centro Equestre de Ceuta.

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No total, o Executivo espanhol afirma ter disponibilizado mais de 3.400 lugares adicionais e prepara cerca de três mil outros, com o objetivo de retirar da rua os migrantes que ainda aguardam identificação, triagem e decisão sobre cada caso.

A nova jornada de incidentes acontece também quando a crise migratória assume uma dimensão política crescente em Espanha. Esta quarta-feira, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, pediu explicações ao diretor-geral da Polícia Nacional sobre o polémico relatório que aponta para o envolvimento de gendarmes marroquinos e agentes à paisana na entrada massiva de 72 mil pessoas em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho.

O Governo espanhol pediu, contudo, “máxima cautela” perante essas conclusões e quer esclarecer porque razão um documento com possíveis implicações para a segurança nacional não terá sido transmitido anteriormente aos responsáveis políticos.

Enquanto essa polémica se desenvolve em Madrid, em Ceuta o problema imediato continua a estar nas ruas: encontrar alojamento para milhares de pessoas e gerir uma situação em que a pressão sobre os centros de acolhimento continua a provocar episódios de tensão.

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