Um protesto pacífico promovido por imigrantes em frente à loja da Agência para a Imigração e Mobilidade (AIMA), no Porto, foi perturbado esta quarta-feira por elementos ligados a movimentos de extrema-direita que se manifestaram contra a entrada de estrangeiros em Portugal. A intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) foi necessária para evitar a escalada do conflito, tendo quatro indivíduos sido afastados do local.
Segundo noticiou a RTP, os elementos perturbadores estavam associados ao grupo extremista Reconquista, conhecido pelas suas posições anti-imigração. Empunhando megafones, os manifestantes tentaram provocar os participantes da concentração, gerando momentos de tensão que levaram à atuação imediata das forças policiais presentes no local. A PSP interveio de forma preventiva, removendo quatro pessoas da área, de modo a evitar confrontos.
Protesto pacífico contra atrasos da AIMA
A concentração dos imigrantes frente à AIMA no Porto tinha sido previamente anunciada e foi organizada pela associação Solidariedade Imigrante, que tem vindo a denunciar os atrasos sistemáticos nos processos de regularização de cidadãos estrangeiros em Portugal.
Em causa está a morosidade na entrega de documentos fundamentais, como autorizações de residência, o que impede milhares de imigrantes de aceder a direitos básicos. Muitos estão impedidos de sair e entrar no país, mesmo cumprindo com todas as obrigações fiscais e laborais.
“Há pessoas a trabalhar, a descontar, mas sem acesso aos documentos que lhes permitam viver com dignidade”, denuncia a associação, que afirma que há casos de cidadãos à espera há mais de três anos pela documentação necessária para permanecerem legalmente em território português.
O protesto no Porto surge na sequência de outra manifestação semelhante, realizada no passado dia 7 de abril, em frente às instalações da AIMA em Lisboa. Nessa ocasião, centenas de imigrantes, na sua maioria oriundos do subcontinente indiano, manifestaram-se contra os mesmos problemas: atrasos prolongados e ausência de respostas concretas por parte da entidade responsável pela regularização documental.
Na altura, os manifestantes exigiram maior celeridade nos processos, sublinhando que a situação atual compromete o seu acesso a serviços essenciais, à mobilidade e à estabilidade profissional e pessoal.
A Agência para a Imigração e Mobilidade (AIMA), criada recentemente para suceder ao antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), tem sido alvo de críticas por não conseguir responder às exigências de milhares de processos acumulados.
A transição do SEF para a AIMA foi anunciada pelo Governo como um passo importante para garantir maior humanização e eficácia na gestão da imigração, mas as denúncias de atrasos continuam a multiplicar-se. O executivo ainda não reagiu publicamente ao protesto de hoje, nem às críticas sobre o estado atual dos serviços da AIMA.





