Tensão junto à AIMA no Porto: Protesto de imigrantes alvo de provocação por grupo de extrema-direita obriga a atuação da PSP

Polícia afastou quatro elementos do movimento Reconquista que tentaram desestabilizar manifestação pacífica contra atrasos na regularização de imigrantes

Pedro Zagacho Gonçalves

Um protesto pacífico promovido por imigrantes em frente à loja da Agência para a Imigração e Mobilidade (AIMA), no Porto, foi perturbado esta quarta-feira por elementos ligados a movimentos de extrema-direita que se manifestaram contra a entrada de estrangeiros em Portugal. A intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) foi necessária para evitar a escalada do conflito, tendo quatro indivíduos sido afastados do local.

Segundo noticiou a RTP, os elementos perturbadores estavam associados ao grupo extremista Reconquista, conhecido pelas suas posições anti-imigração. Empunhando megafones, os manifestantes tentaram provocar os participantes da concentração, gerando momentos de tensão que levaram à atuação imediata das forças policiais presentes no local. A PSP interveio de forma preventiva, removendo quatro pessoas da área, de modo a evitar confrontos.

Protesto pacífico contra atrasos da AIMA
A concentração dos imigrantes frente à AIMA no Porto tinha sido previamente anunciada e foi organizada pela associação Solidariedade Imigrante, que tem vindo a denunciar os atrasos sistemáticos nos processos de regularização de cidadãos estrangeiros em Portugal.

Em causa está a morosidade na entrega de documentos fundamentais, como autorizações de residência, o que impede milhares de imigrantes de aceder a direitos básicos. Muitos estão impedidos de sair e entrar no país, mesmo cumprindo com todas as obrigações fiscais e laborais.

“Há pessoas a trabalhar, a descontar, mas sem acesso aos documentos que lhes permitam viver com dignidade”, denuncia a associação, que afirma que há casos de cidadãos à espera há mais de três anos pela documentação necessária para permanecerem legalmente em território português.

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O protesto no Porto surge na sequência de outra manifestação semelhante, realizada no passado dia 7 de abril, em frente às instalações da AIMA em Lisboa. Nessa ocasião, centenas de imigrantes, na sua maioria oriundos do subcontinente indiano, manifestaram-se contra os mesmos problemas: atrasos prolongados e ausência de respostas concretas por parte da entidade responsável pela regularização documental.

Na altura, os manifestantes exigiram maior celeridade nos processos, sublinhando que a situação atual compromete o seu acesso a serviços essenciais, à mobilidade e à estabilidade profissional e pessoal.

A Agência para a Imigração e Mobilidade (AIMA), criada recentemente para suceder ao antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), tem sido alvo de críticas por não conseguir responder às exigências de milhares de processos acumulados.

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A transição do SEF para a AIMA foi anunciada pelo Governo como um passo importante para garantir maior humanização e eficácia na gestão da imigração, mas as denúncias de atrasos continuam a multiplicar-se. O executivo ainda não reagiu publicamente ao protesto de hoje, nem às críticas sobre o estado atual dos serviços da AIMA.

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