“Tenho de alugar uma criança?”: praia na Sardenha proíbe chapéus de sol à maioria dos adultos

Decisão está a gerar críticas, perplexidade e comentários irónicos entre banhistas e utilizadores das redes sociais.

Executive Digest

Uma praia da Sardenha proibiu a instalação de chapéus de sol por pessoas entre os 10 e os 65 anos, numa medida que as autoridades locais justificam com a necessidade de proteger o ambiente natural da zona. A decisão, aplicada na praia de Punta Molentis, em Villasimìus, na costa sudeste da ilha italiana, está a gerar críticas, perplexidade e comentários irónicos entre banhistas e utilizadores das redes sociais, noticia o The Guardian.

A regra faz parte de um conjunto de restrições impostas pela autarquia local para preservar a área, conhecida pela sua paisagem natural e integrada numa zona de conservação. Além da proibição parcial de chapéus de sol, os visitantes têm de pagar 10 euros para entrar na praia pública.

Apenas famílias com crianças menores de 10 anos podem montar um chapéu de sol, e apenas um. A mesma exceção aplica-se a pessoas com mais de 65 anos.

Medida gera críticas entre banhistas

A decisão não foi bem recebida por muitos frequentadores da praia. Nas redes sociais, a medida provocou uma mistura de incredulidade e humor, mas também preocupações relacionadas com riscos de cancro da pele ou insolação.

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Num comentário publicado na página de Facebook da autarquia de Villasimìus, um utilizador perguntou ironicamente: “Para pôr um chapéu de sol tenho de alugar uma criança?”. Outro escreveu: “Então, para ir à praia com chapéu de sol, ou levo o meu avô ou tenho de ter um filho entre hoje e amanhã?”.

Houve ainda quem apelasse ao boicote a Punta Molentis, enquanto outros afirmaram que irão simplesmente escolher outra praia onde possam proteger-se do sol em segurança.

Praia reabre após incêndio devastador

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Punta Molentis reabre depois de ter estado encerrada desde julho do ano passado, na sequência de um incêndio devastador provocado por incendiários.

A autarquia de Villasimìus afirmou que o fogo e “eventos meteorológicos marinhos excecionais” levaram à imposição de regras mais apertadas para preservar a beleza natural da praia.

“Por esta razão, é necessário limitar o impacto humano e garantir a proteção deste património para as gerações futuras”, declarou a autarquia num aviso publicado no seu site, citado pelo The Guardian.

Além dos chapéus de sol, os visitantes estão também proibidos de montar gazebos, tendas ou outros equipamentos de sombra. As regras deverão manter-se em vigor até ao final de outubro.

Disputa antiga sobre praias em Itália

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A medida em Punta Molentis surge num contexto mais amplo de disputas em torno das praias italianas, frequentemente lotadas durante a época balnear. O problema tem-se agravado com o aumento dos custos associados ao aluguer de espreguiçadeiras e chapéus de sol em concessões privadas.

Em Jesolo, perto de Veneza, as autoridades reduziram em 20 mil o número de lugares com espreguiçadeiras e chapéus de sol, numa tentativa de criar mais espaço entre visitantes.

Segundo dados recentes da Altroconsumo, a maior organização italiana de defesa do consumidor, o custo médio de alugar duas espreguiçadeiras e um chapéu de sol numa concessão privada subiu 24% nos últimos cinco anos. Só no último ano, o aumento foi de 6%.

Perante estes preços, muitos italianos estão a evitar os clubes de praia privados. Ao mesmo tempo, intensificaram-se nos últimos anos os protestos a exigir mais praias gratuitas.

Entre proteção ambiental e direito à sombra

A decisão da praia de Punta Molentis coloca em confronto duas preocupações distintas: a preservação ambiental de uma zona natural sensível e o direito dos banhistas a protegerem-se do sol.

Para as autoridades locais, limitar o uso de equipamentos na praia é uma forma de reduzir o impacto humano sobre um espaço fragilizado por incêndios e fenómenos meteorológicos. Para muitos visitantes, porém, a regra é difícil de compreender, sobretudo por impedir adultos entre os 10 e os 65 anos de montarem o seu próprio chapéu de sol.

A polémica deverá acompanhar a reabertura da praia durante o verão, numa altura em que Itália volta a discutir o acesso, os preços e a gestão das suas praias públicas e privadas.

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