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Tendências 2030: um olhar sobre o futuro!

Por Cátia Martins
CEO da L’Oréal Portugal

A sensação que tenho é que nos últimos quatro anos o Mundo mudou mais do que nos últimos 40, e esta velocidade de mudança será tendencialmente ainda mais acelerada nesta nova década.

Sobreviverão as empresas que conseguirem navegar em marés agitadas e com uma mentalidade de evolução e transformação constantes! É tempo de pensar que o caminho se faz mesmo para a frente, e que a mudança é a única constante da vida. Da nossa vida e da vida das empresas!

Nesta nova década de desafios e oportunidades, a agilidade será chave no processo de transformação e adaptação a este contexto cada vez mais desafiante.

E QUAL SERÁ O PAPEL DO LÍDER?

Mais do que nunca, os líderes terão de saber antecipar e descodificar as novas tendências – quer no contexto político, cada vez mais polarizado; quer no contexto económico, sempre mais imprevisível ou no contexto social, cada vez mais exigente. Terá de ser capaz de olhar de igual forma para o contexto interno da empresa e ter um olhar profundamente estratégico e holístico para fora. Para tal, terá de sair regularmente da sua zona de conforto, participar activamente em todo o ecossistema e alinhar e realinhar a estratégia constantemente, sempre com um propósito forte e relevante, no contexto em que esteja inserida.

Vivemos efectivamente numa era em que a velocidade da informação e da tecnologia antecipam uma década entusiasmante – e o mercado de Beleza não é excepção! O mercado está a acelerar, também graças à digitalização, e, sendo a beleza e o digital uma combinação perfeita, o futuro prevê-se de ainda maior aceleração.

Nesta espiral de mudança tão acelerada é então essencial percebermos, a fundo, quais são as tendências que vão moldar o consumo de beleza, e não apenas de beleza, nos próximos 10 anos.

Olhemos para as grandes tendências mundiais:

  • “ALL INCLUSIVE”

Num mundo multicultural e de multi-influências, a inclusão já não chega como resposta – abraçar, de facto, a diversidade e saber aceitá-la vai definir o futuro.

Durante muito tempo o conceito de Beleza foi definido pela Europa Ocidental: estereótipos de pele perfeita e corpo magro definiram, e ainda definem muitas vezes, o que é beleza. No entanto, o empowerment que é dado ao consumidor, o orgulho cultural e o conceito de body positivity estão a quebrar este padrão. Consumidores híbridos são a nova norma: masculino e feminino, universal e multicultural, convencional e nicho – mudam a forma como vemos os produtos – ou são feitos para todos, sem diferenças de género, ou são taylor made, de acordo com os novos padrões de beleza.

  • CONVENIÊNCIA

Bem-vindos à “smart age of Beauty”!

Abandona-se o conceito de conveniência, tal como a conhecemos, porque a beleza está e pode acontecer a qualquer momento, independentemente do tempo, embalagem ou local – no carro, numa discoteca, num ginásio ou simplesmente no conforto da nossa casa. Produtos e serviços nunca foram tão “íntimos”, intuitivos e adaptados. A beleza é on-demand, o avanço da tecnologia permite novos serviços, as app’s e os dispositivos +são desenhados para proporcionar o melhor da beleza, num piscar de olhos. O consumidor decide, assume o controlo, e tem a possibilidade de monitorizar a sua vida, até ao último detalhe; ou, se preferir, pode perder-se numa experiência virtual que lhe permite experimentar produtos e serviços, sem sair de casa.

  • SAÚDE E BEM-ESTAR

Numa altura em que a ansiedade se transformou na preocupação n.º1 do Mundo, todas as estratégias passam por tentar devolver serenidade aos consumidores.

O culto do corpo perde relevância face ao bem-estar espiritual, e a saúde mental e física tornam-se imperativas. Pensar “menos” e sentir mais – inspirar, expirar, respirar – é tempo de trabalhar os sentidos e proporcionar o relaxamento da mente. As experiências sensoriais vêm estimular as emoções. O crescimento dos chamados “super alimentos” e dos probióticos demonstram a crescente preocupação com o bem-estar e responde à necessidade da utilização de “armaduras” contra a loucura dos centros urbanos. Vivemos entre crenças e ciência.

  • CONFIANÇA E TRANSPARÊNCIA

A confiança ultrapassa, já hoje, a noção de produto e marca – o consumidor exige e exigirá sempre mais transparência em todo o processo.

O consumidor está cada vez mais informado e quer conhecer todo o ciclo do produto exigindo, desde a origem, ética e autenticidade, à protecção de dados e novas responsabilidades sociais. O plástico tornou-se o seu inimigo n.º1 e surge com um movimento colaborativo para que juntos, consumidores e marcas, encontrem soluções mais sustentáveis – uma economia cada vez mais partilhada e consciente.

  • CIÊNCIA 10.0

A evolução da ciência aplicada à Beleza!

A ciência desenvolveu-se rapidamente, aplicando todas as vantagens directamente em beleza – o futuro passa pela utilização do nosso ADN, para que as rotinas de beleza sejam mais personalizadas e únicas. Microbioma é palavra que será mais ouvida nos próximos anos e consiste precisamente na forma mais exacta de personalização – muito mais do que o que quer, o consumidor passa a poder ter o que realmente precisa.

Aquilo a que chamamos de futuro tem na verdade uma actualidade já muito presente! Todas estas tendências mundiais já começam a estar evidentes na sociedade. Nesta “nova” realidade, o líder terá que ser mais do que nunca o motor da transformação, e um verdadeiro agente de mudança – ágil e catalisador de modernidade. Rumo a 2030!

Artigo publicado na Revista Marketeer n.º 168 de Março de 2020

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