Tendências 2022: Análise de José Gonçalves, Presidente da Accenture Portugal

Reunimos um conjunto de presidentes e CEO portugueses que nos ajudaram a traçar as perspectivas económicas para o país e empresas. E revelam também a medida que gostavam de ver debatida nos programas eleitorais do partidos


1. Quais as perspectivas para 2022 para o País, Economia e no seu sector de actividade?

Espera-se que 2022 seja efectivamente o ano da viragem em relação à COVID-19. Apesar de termos entrado em Janeiro com um número alto de infecções, e ainda com muitos desafios para o mundo empresarial e para a sociedade, o ano que agora termina representou um maior controlo pandémico, em que a vacinação teve um impacto significativo, o que já se reflectiu numa retoma económica importante para o nosso país.

Penso que os próximos meses vão ser chave para seguirmos uma rota de crescimento e para que seja possível superar os valores do PIB de 2019. Mas para isso terá de haver menos restrições e criar-se um ambiente mais livre e favorável aos negócios. A aplicação das medidas do PRR serão também uma ferramenta fundamental para as reformas capazes de potenciar o desenvolvimento. Será igualmente importante que se confirme a chegada ao mercado de vacinas de nova geração, que além de protegerem as populações da doença grave possam também evitar o contágio, pondo um fim efectivo à pandemia ou para a tornar uma doença endémica.

Para o setor da consultoria e serviços profissionais, e para a Accenture em particular, esperamos que este seja um ano de novas oportunidades e que possamos seguir na nossa rota de crescimento. A pandemia acelerou de certa forma a digitalização, sendo essencial agora a transformação digital das grandes empresas em Portugal. Ou seja, vamos continuar a ajudar os nossos clientes a aumentar receitas, criando novos produtos e serviços a uma escala global, reduzir custos, recorrendo a automação, analítica avançada e garantindo uma maior eficácia operacional, e criar novos negócios, baseados no paradigma digital. Quando me questionam sobre o que representa a transformação digital, a minha resposta é clara: criação de valor para as organizações, sociedade e pessoas.


2. Que medida gostava que constasse nos programas dos partidos para as eleições legislativas de Janeiro 2022?

Para sermos bem sucedidos na economia digital será essencial a aposta nas pessoas, sem elas não vamos conseguir melhorar a competitividade do país neste mercado global. A escassez de talento qualificado condiciona a capacidade de crescimento das nossas empresas.

Primeiro, é preciso alargar e acelerar a oferta do ensino superior em STEM, abrir os numerus clausus em cursos superiores e técnicos, de forma a aumentar a oferta de perfis tecnológicos e digitais. Deverá haver um ajuste de procura/oferta da academia já que as universidades têm capacidade de acolher mais estudantes, pelo que caberá ao governo tornar este tema uma prioridade. Por outro lado, e porque não existe nem existirá a curto prazo o talento necessário para o desafio que vamos ter pela frente, a requalificação vai ser fundamental: temos de fazer o reskilling e o upskilling das pessoas que temos.

Igualmente relevante, e tendo em conta que o nosso tecido empresarial é sobretudo composto por PME, será a criação de incentivos para gerar mais “grandes empresas”, que garantam a criação de emprego qualificado, centros de competências e investimento em inovação e tecnologia, com grande impacto na economia.

E destacaria ainda a necessidade de uma transformação digital muito mais acelerada por parte da Administração Pública, reduzindo custos e contribuindo para o aumento da produtividade dos nossos organismos.

Só desta forma Portugal pode crescer, tornar-se numa economia mais forte, que cria mais valor, mais riqueza e, em última instância, mais bem-estar e melhor qualidade de vida a quem vive no nosso país.


Artigo publicado na revista Executive Digest n.º 190 de Janeiro de 2022

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