Tempos de espera podem chegar às três horas na linha SNS24 durante greve geral

A primeira greve da história da linha SNS24, integrada na greve geral desta quarta-feira, poderá provocar perturbações significativas no principal canal de acesso dos cidadãos ao Serviço Nacional de Saúde.

Pedro Zagacho Gonçalves

A primeira greve da história da linha SNS24, integrada na greve geral desta quarta-feira, poderá provocar perturbações significativas no principal canal de acesso dos cidadãos ao Serviço Nacional de Saúde, com os profissionais a alertarem para tempos de espera que poderão atingir duas a três horas, incluindo em situações potencialmente urgentes. A paralisação envolve trabalhadores que asseguram o funcionamento do serviço através da Altice e surge numa altura em que a linha já enfrenta elevados níveis de pressão operacional.

Segundo revela o Jornal de Notícias, os próprios profissionais juntaram um conjunto de testemunhos e dados recolhidos junto de 150 trabalhadores, descrevendo um cenário considerado “potencialmente crítico”. O documento aponta para “tempos de espera excessivos”, um “rácio insuficiente entre chamadas e recursos humanos” e uma “crescente dificuldade em garantir respostas atempadas em situações potencialmente urgentes ou emergentes”, alertando que qualquer redução adicional da capacidade de resposta poderá ter consequências diretas no acesso dos utentes aos cuidados de saúde e no funcionamento global do SNS.

Os trabalhadores receiam que os atrasos no atendimento possam contribuir para o agravamento do estado clínico de alguns doentes. Entre os riscos identificados encontram-se o atraso na referenciação para o INEM ou para os serviços de urgência, a evolução de situações potencialmente urgentes para quadros mais graves e a desistência de muitos utentes antes mesmo de serem atendidos. O relatório refere ainda que os longos períodos de espera têm provocado episódios de ansiedade, stress, insegurança e desespero, dificultando o próprio processo de triagem clínica devido à irritabilidade, agressividade verbal ou respostas incompletas por parte dos cidadãos.

O documento destaca igualmente problemas estruturais relacionados com os recursos humanos. Cerca de 96,2% dos profissionais inquiridos consideram que o atual rácio entre chamadas recebidas e número de trabalhadores afeta negativamente a qualidade do serviço, enquanto 72,5% defendem como prioridade o reforço das equipas. O desgaste acumulado é também evidente: 78,5% dos participantes admitem já ter ponderado interromper ou abandonar a atividade devido a situações de burnout, num contexto marcado por stress elevado, turnos prolongados e pressão constante associada ao desempenho e aos processos de auditoria.

Na véspera da greve, os trabalhadores deixam um aviso sobre a sustentabilidade do modelo atual do SNS24. Segundo o relatório, a crescente procura do serviço não tem sido acompanhada por um reforço proporcional dos meios disponíveis, levantando dúvidas sobre a capacidade da linha para continuar a responder eficazmente às necessidades dos utentes. Os profissionais sublinham ainda uma perceção generalizada de desvalorização do trabalho clínico realizado, associada a salários considerados insuficientes e a condições contratuais precárias, fatores que, na sua perspetiva, podem comprometer a segurança e a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos.

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